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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Referência Viva
: janelas patentes em transparências de caudal dourado
espontâneas como palavrões, entre as palavrinhas do dia-a-dia, de quem vive para o trabalho dias a fio.
Sem fio, na outra margem, algo nasce, renasce, nunca morre – escorre teimoso e inesgotável
[nunca igual] nas escadarias
ou nos improvisos de neblinas a horas fátuas de sol
(tão incompreensíveis para os poetas laboratoriais)
[sempre igual] nas façanhas e nos gestos límpidos e obstinados
que acreditarão sempre, sempre na bonomia
oculta pela aspereza da pedra azul
(afinal, humilde como o desabrochar das dálias).
De súbito, o tempo deixa de ser um conjunto de casas desalinhadas
– organizam-se proletários casarios, capelas, confrades, areais limpos, olhares que riem, um pôr-do-sol na transição para uma qualquer rua sem carros
[o tempo é um pincel orgânico em movimento]
afoito como o menino que brinca e cai ao poço e, desde então,
escuta do seu fundo, apenas para melhor auscultar os elementos
e uma certa Rosa que (sem dia-não) lhe ditam as tintas
directamente ao [centro].
Mas tem saudade-de-si, das suas próprias referências
: a bola de trapos, as sameiras, o peão e o carolo,
as cordas da roupa e as pias com plantas por cima e a
mãe a cantar;
agora, pinta-as com a mão direita
(a mesma destreza ao encestar com a esquerda)
e vai à escola, onde o escutam com olhos de ver
– o mesmo sol, a mesma vertigem
que regista, escrivã do espaço, tempos de África às Américas.
E dilatam-se-lhe as pupilas, para melhor o adentrarmos
rumo às memórias, até ao instinto.
Assim são as referências vivas, movidas a luz própria
sem época, desbravando a sua própria escuridão
; esta é Pai e é Filho da cidade, de um país
retrata-os intimamente, do ventre, com olhos de mundo
eles são a sua cama e a sua prole
esperma-óvulo concebido em ateliers a céu aberto
erários a cores por “dez réis de mel coado” – diáfanas incongruências que nos prometem a pincelada ad aeternum
aquela que nos embarca em perspicuidades reverenciais.
Na precariedade,
a desprendida emoção de ser criador à sua escala
: em directo, sem grafite e sem borracha
– o Milagre da Multiplicação do Amor
Suzana Guimaraens
espontâneas como palavrões, entre as palavrinhas do dia-a-dia, de quem vive para o trabalho dias a fio.
Sem fio, na outra margem, algo nasce, renasce, nunca morre – escorre teimoso e inesgotável
[nunca igual] nas escadarias
ou nos improvisos de neblinas a horas fátuas de sol
(tão incompreensíveis para os poetas laboratoriais)
[sempre igual] nas façanhas e nos gestos límpidos e obstinados
que acreditarão sempre, sempre na bonomia
oculta pela aspereza da pedra azul
(afinal, humilde como o desabrochar das dálias).
De súbito, o tempo deixa de ser um conjunto de casas desalinhadas
– organizam-se proletários casarios, capelas, confrades, areais limpos, olhares que riem, um pôr-do-sol na transição para uma qualquer rua sem carros
[o tempo é um pincel orgânico em movimento]
afoito como o menino que brinca e cai ao poço e, desde então,
escuta do seu fundo, apenas para melhor auscultar os elementos
e uma certa Rosa que (sem dia-não) lhe ditam as tintas
directamente ao [centro].
Mas tem saudade-de-si, das suas próprias referências
: a bola de trapos, as sameiras, o peão e o carolo,
as cordas da roupa e as pias com plantas por cima e a
mãe a cantar;
agora, pinta-as com a mão direita
(a mesma destreza ao encestar com a esquerda)
e vai à escola, onde o escutam com olhos de ver
– o mesmo sol, a mesma vertigem
que regista, escrivã do espaço, tempos de África às Américas.
E dilatam-se-lhe as pupilas, para melhor o adentrarmos
rumo às memórias, até ao instinto.
Assim são as referências vivas, movidas a luz própria
sem época, desbravando a sua própria escuridão
; esta é Pai e é Filho da cidade, de um país
retrata-os intimamente, do ventre, com olhos de mundo
eles são a sua cama e a sua prole
esperma-óvulo concebido em ateliers a céu aberto
erários a cores por “dez réis de mel coado” – diáfanas incongruências que nos prometem a pincelada ad aeternum
aquela que nos embarca em perspicuidades reverenciais.
Na precariedade,
a desprendida emoção de ser criador à sua escala
: em directo, sem grafite e sem borracha
– o Milagre da Multiplicação do Amor
Suzana Guimaraens
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Suzana Guimaraens
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
"Oh, patiêgo, olh'ó balonhe!..."
E ali ficámos a olhar - assumidos patêgos - a vê-lo a afastar-se... Até ficar pequenino, do tamanho de todos os outros, de tantas dezenas de outros... Até desaparecer, como tantas outras coisas.
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Porto
sábado, 14 de março de 2009
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Ressuscitando
(Porto - Torre dos Clérigos)
(...)
Ressuscita a cidade
Resgata-a do mijo nas esquinas
e do medo do escuro
Sobe à Torre dos Clérigos
De vertical tão puro
(...)
Suzana Guimaraens
Laço-Kitsch
(Porto by night)
Há laços que enlaçam
mas não abafam
Há laços que nos soltam e abraçam
que nos lançam no incomensurável universo das coisas vistas e por ver
raízes de organza e seda de um vaso maior
que se nos estendem e nos entendem
e fazem crescer
Há laços de arame farpado
que estrangulam até o silêncio
e só conjugam o verbo morrer.
eU
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Algumas questões-evasivas-Sendo
(Foz)
A questão é… se os azeiteiros sabem que são azeiteiros,
e se os políticos têm noção do seu grau de corrupção e de como os seus valores apodreceram ao longo do seu processo de escalada ao poder.
A questão é se uma mulher é frágil ou se a tornaram frágil por causa da cruz e da eterna virgindade de Maria.
A questão é se os pais abandónicos se apercebem de cada vez que abandonam...
A questão é se as lavagens ao cérebro são obra de mentes já pré-lavadas e se um regime democrático pode coexistir com uma imprensa manipuladora e um público manipulado.
A questão é se a mentira e a obscuridade têm de durar para sempre.
A questão é porque tantas vezes se age como se tudo já tivesse sido dito e feito, quando há ainda tanto por dizer e tanto por fazer.
E não é por mim…
É por TODOS. SODOT.
Mesmo os indolentes, os instáveis, os cigarra, os procrastinadores, os parasitas, os pássaros livres, com uma bússola em forma de falo, os que vivem de e para os elogios e para os comentários…
Sim, mesmo esses. Porque o simples facto de se estar aqui, mesmo aparentemente sem fazer nada, o simples-estar-aqui emana…
Emana pensamento, emana energia, whatever that means… Quanto mais não seja, emana mau cheiro…
E para se estar não é preciso muito para além de se respirar.
A questão é se se está sendo isto ou sendo aquilo. Sendo poesia ou sendo prosaica sardónica. Sendo o profundo branco ou sendo o negro obsessivo.
Porque nós podemos ser tudo isso… A qualquer momento.
A questão é se vale a pena escrever sobre isto, porque ninguém lê, ou se lê não parece que leia.
A questão é se vale a pena partilhar porque a verdade é que as palavras não mudam nada, apenas ocupam espaço.
A questão é se vale a pena dizer que Vos amo, sendo mesmo assim, se não quero, rigorosamente, ninguém.
A questão é se para Vos fecundar eu tenho de entrar dentro de Vós ou Vós dentro de Mim, ou se basta deixar um ovo aí perto, porque eu não quero adentrar ninguém!
Eu não tenho de entrar dentro de Vós...
Eu não quero ser a Voz de nada...
Eu não quero ser a chave nem de um postigo,
Eu não quero nada a não ser...
Ser
EU
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