Mãos que te movem,
Belas que argamassam o finito.
E os teus olhos enigmáticos, doces...
Por aí não se ficam.
E nem a áurea da tua bipolaridade,
Do teu sorriso, te traia.
Restar-te-ão as palavras construídas, tão iguais,
Tão diferentes dos gestos das tuas mãos,
Quiçá sob os feixes do teu olhar, tão suave, meigo.
E com que dureza, e que condescendência.
Virgílio Liquito
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Referência Viva
: janelas patentes em transparências de caudal dourado
espontâneas como palavrões, entre as palavrinhas do dia-a-dia, de quem vive para o trabalho dias a fio.
Sem fio, na outra margem, algo nasce, renasce, nunca morre – escorre teimoso e inesgotável
[nunca igual] nas escadarias
ou nos improvisos de neblinas a horas fátuas de sol
(tão incompreensíveis para os poetas laboratoriais)
[sempre igual] nas façanhas e nos gestos límpidos e obstinados
que acreditarão sempre, sempre na bonomia
oculta pela aspereza da pedra azul
(afinal, humilde como o desabrochar das dálias).
De súbito, o tempo deixa de ser um conjunto de casas desalinhadas
– organizam-se proletários casarios, capelas, confrades, areais limpos, olhares que riem, um pôr-do-sol na transição para uma qualquer rua sem carros
[o tempo é um pincel orgânico em movimento]
afoito como o menino que brinca e cai ao poço e, desde então,
escuta do seu fundo, apenas para melhor auscultar os elementos
e uma certa Rosa que (sem dia-não) lhe ditam as tintas
directamente ao [centro].
Mas tem saudade-de-si, das suas próprias referências
: a bola de trapos, as sameiras, o peão e o carolo,
as cordas da roupa e as pias com plantas por cima e a
mãe a cantar;
agora, pinta-as com a mão direita
(a mesma destreza ao encestar com a esquerda)
e vai à escola, onde o escutam com olhos de ver
– o mesmo sol, a mesma vertigem
que regista, escrivã do espaço, tempos de África às Américas.
E dilatam-se-lhe as pupilas, para melhor o adentrarmos
rumo às memórias, até ao instinto.
Assim são as referências vivas, movidas a luz própria
sem época, desbravando a sua própria escuridão
; esta é Pai e é Filho da cidade, de um país
retrata-os intimamente, do ventre, com olhos de mundo
eles são a sua cama e a sua prole
esperma-óvulo concebido em ateliers a céu aberto
erários a cores por “dez réis de mel coado” – diáfanas incongruências que nos prometem a pincelada ad aeternum
aquela que nos embarca em perspicuidades reverenciais.
Na precariedade,
a desprendida emoção de ser criador à sua escala
: em directo, sem grafite e sem borracha
– o Milagre da Multiplicação do Amor
Suzana Guimaraens
espontâneas como palavrões, entre as palavrinhas do dia-a-dia, de quem vive para o trabalho dias a fio.
Sem fio, na outra margem, algo nasce, renasce, nunca morre – escorre teimoso e inesgotável
[nunca igual] nas escadarias
ou nos improvisos de neblinas a horas fátuas de sol
(tão incompreensíveis para os poetas laboratoriais)
[sempre igual] nas façanhas e nos gestos límpidos e obstinados
que acreditarão sempre, sempre na bonomia
oculta pela aspereza da pedra azul
(afinal, humilde como o desabrochar das dálias).
De súbito, o tempo deixa de ser um conjunto de casas desalinhadas
– organizam-se proletários casarios, capelas, confrades, areais limpos, olhares que riem, um pôr-do-sol na transição para uma qualquer rua sem carros
[o tempo é um pincel orgânico em movimento]
afoito como o menino que brinca e cai ao poço e, desde então,
escuta do seu fundo, apenas para melhor auscultar os elementos
e uma certa Rosa que (sem dia-não) lhe ditam as tintas
directamente ao [centro].
Mas tem saudade-de-si, das suas próprias referências
: a bola de trapos, as sameiras, o peão e o carolo,
as cordas da roupa e as pias com plantas por cima e a
mãe a cantar;
agora, pinta-as com a mão direita
(a mesma destreza ao encestar com a esquerda)
e vai à escola, onde o escutam com olhos de ver
– o mesmo sol, a mesma vertigem
que regista, escrivã do espaço, tempos de África às Américas.
E dilatam-se-lhe as pupilas, para melhor o adentrarmos
rumo às memórias, até ao instinto.
Assim são as referências vivas, movidas a luz própria
sem época, desbravando a sua própria escuridão
; esta é Pai e é Filho da cidade, de um país
retrata-os intimamente, do ventre, com olhos de mundo
eles são a sua cama e a sua prole
esperma-óvulo concebido em ateliers a céu aberto
erários a cores por “dez réis de mel coado” – diáfanas incongruências que nos prometem a pincelada ad aeternum
aquela que nos embarca em perspicuidades reverenciais.
Na precariedade,
a desprendida emoção de ser criador à sua escala
: em directo, sem grafite e sem borracha
– o Milagre da Multiplicação do Amor
Suzana Guimaraens
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Transpiras flores
Transpiras flores
nos vasos de minha casa
de asas voltas-te a nascente
sem rosa dos ventos
e aspiras inquieto à chuva dos meus olhos em botão
cristais sem arestas germinam
e [curvilínguo] plantas-te nas minhas persianas líquidas
como aquelas orquídeas que nascem no tronco das árvores
Suzana Guimaraens
nos vasos de minha casa
de asas voltas-te a nascente
sem rosa dos ventos
e aspiras inquieto à chuva dos meus olhos em botão
cristais sem arestas germinam
e [curvilínguo] plantas-te nas minhas persianas líquidas
como aquelas orquídeas que nascem no tronco das árvores
Suzana Guimaraens
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Suzana Guimaraens
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
23:23 traducido para Castellano
De pie, jadeante, aparecí en la punta de la pasarela, perpendicular a la playa.
Me adentré, paulatinamente, en el arenal hasta las espumas y las estrellas exprimidas,
sin luz de luna a la vista.
En flash, evoqué cómo de niña (e incluso de adolescente),
durante el viaje de mañana en autocarro a la escuela,
me apetecía abrazar todo el paisaje que los ojos lograsen alcanzar
y me daba vergüenza que me leyesen los sentimientos en aquel mirar aéreo y excessivo.
Allá, en la pasarela, no fue mi pequeñez,
frente a la (in)finidad de aquel océano y firmamento,
lo que me rescató
: fueron las respiraciones completas [simultáneas] con todo lo que allí respiraba.
Inmiscuida y simbiótica respiraba.
Me reerigí
―Órgano de la Paz―
perpleja, diáfana, incomensurable,
mucho más allá de las vigas de madera que parecían sosternerme los pies.
Y debo de haber sido feliz, porque no tengo recuerdo de SER tan enteramente libre,
libre hasta de mí,
sobre todo cuando, súbitamente, comprendí que aquel
Silencio
de brisa en blandas olas nocturnas y aromas a flora de dunas primaverales
era, al cabo, tan importante y pleno de budeidad
como el trash-metal, tumba que dale toda la tarde, del vecino del primero.
Suzana Guimaraens
(Trad.: María Alonso Seisdedos)
Me adentré, paulatinamente, en el arenal hasta las espumas y las estrellas exprimidas,
sin luz de luna a la vista.
En flash, evoqué cómo de niña (e incluso de adolescente),
durante el viaje de mañana en autocarro a la escuela,
me apetecía abrazar todo el paisaje que los ojos lograsen alcanzar
y me daba vergüenza que me leyesen los sentimientos en aquel mirar aéreo y excessivo.
Allá, en la pasarela, no fue mi pequeñez,
frente a la (in)finidad de aquel océano y firmamento,
lo que me rescató
: fueron las respiraciones completas [simultáneas] con todo lo que allí respiraba.
Inmiscuida y simbiótica respiraba.
Me reerigí
―Órgano de la Paz―
perpleja, diáfana, incomensurable,
mucho más allá de las vigas de madera que parecían sosternerme los pies.
Y debo de haber sido feliz, porque no tengo recuerdo de SER tan enteramente libre,
libre hasta de mí,
sobre todo cuando, súbitamente, comprendí que aquel
Silencio
de brisa en blandas olas nocturnas y aromas a flora de dunas primaverales
era, al cabo, tan importante y pleno de budeidad
como el trash-metal, tumba que dale toda la tarde, del vecino del primero.
Suzana Guimaraens
(Trad.: María Alonso Seisdedos)
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
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