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sábado, 5 de fevereiro de 2011

miss my miu


Posso? (abridged)

– Posso?... Senhoras, senhores, arrumadores, doutores, da ponta dos meus alvos bigodes (de duas vidas e nove semanas e meia) desejo que o vosso dia flua como um re-gato que se diverte por entre os óbices!
Está um bulldog francês sentado ao fundo do corredor, mesmo em cima da minha cama, e um rei-noceronte em saltos altos (aos pulos que nem uma besta) em cima da mesa da sala e, logo agora: hora da sesta! E sinto-me abstrato, como se não fora um gato, nesta conjuntura surreal. E, em astral pirueta, voo para o telhado.
Dizem-me falhado, errático, demasiado hermético, ensimesmado questionador sistemático: – Por não ambicionar oportunidades para ingressar em cenários precários? Pois bem, sou snob e fofo o suficiente para ser eu a Oportunidade; até rasgaria com empenho a cortina, se isso vos descortinasse a Verdade (ainda que em pedaços) e, áspero, todo língua, lamber-vos-ia os tarsos. Porém (atenção!) jamais dama de companhia, vigia de gatatónicos com miopia, entupidos em cagaços: Não!
Desprezarei sempre o medo que inventais (estrangulá-lo-ei, como fizeram aos meus pais) mas só até que ele tenha medo de mim. Nem quero a estima de um dono: dá-me sono, genuíno tédio esse assédio do apego. Sim, prego a minha religião sem legião. É, sei lá, uma vocação: todo Atitude, peregrino da Virtude, trepar pela sim-dade, enquanto os não-rrrrmais pensam dorrrmir. Seduzo e conquisto a Lua e deduzo, a partir de hoje, miar diariamente às vossas antenas, como nunca antes se ouviu: Sonhai e Criai todos, saí do marasmo, fazei da Vida um Orgasmo, Fartura em todo o lado, Abundância em leitinho, “uh-ah-zubi-zaba-nobi” (oh, que alegre fado!) e, vá, votai no Gatinho… Miu?


Suzana Guimaraens

domingo, 23 de janeiro de 2011

Posso?




fotografia de Carlos Silva



– Posso? É aqui o planeta Natal?
Senhoras, senhores… Arrumadores, doutores, da ponta dos meus alvos bigodes (de duas vidas e nove semanas e meia)
desejo que o vosso dia flua como um re-gato que se diverte por entre os óbices!
Bom, na verdade, não era bem isto que eu queria miar…
: está um bulldog francês sentado ao fundo do corredor, mesmo em cima da minha cama e um rei-noceronte em saltos altos, aos pulos que nem uma besta, em cima da mesa da sala, e logo agora: hora da sesta.

E sinto-me abstrato, como se não fosse um gato, nesta conjuntura surreal
; talvez seja uma questão química e cultural, mas estais a ver um gato no palco, a carecer de desabafo? Nem eu. E uma gata de gravata a fazer do seu gato
gato-sapato?
Até parece mentira, porque ainda ontem, passei por um gato cego
que me leu as palmas e me agoirou um futuro cada vez mais feliz, mas estava demasiado entretido a rilhar um osso de baleia para me dar conselhos; a sua esposa yuppie miava-lhe o jornal por entre rabugentas entrelinhas,
qual Xantipa, como se eu não estivesse ali e não hesitei outro telhado.

Dizem-me falhado, gato errático, operático, ensimesmado, questionador sistemático que se insubordina ao poder:
“porque se der trabalho, é pr’arder!”, mas não é nada disso, enfim…
Tenho a certeza do perfeito caos das ideias que me imaginam
; da realidade que encenais todos os dias, nem tanto assim.

Não almejo oportunidades para entrar nos vossos cenários precários
– sou snob e fofo o suficiente para ser eu a Oportunidade
e até rasgaria com empenho a cortina, se isso vos descortinasse a Verdade
(ainda que em pedaços) e áspero, todo língua, lamber-vos-ia os tarsos.
Porém (muita atenção!) jamais seria dama de companhia,
vigia de gatatónicos – dos retratistas, aos radiofónicos – com azia,
entupidos em cagaços: Não!
Sei, portanto, que irei sempre estancar o medo que inventais
– estrangulá-lo, como fizeram aos meus pais e aos meus irmãos –
todavia, só até que o medo tenha medo das minhas mãos... sim: Mãos!
E não quero ter a esperança pela estima de um dono: dá-me sono, tédio genuíno esse assédio do apego.

Sim, prego a minha religião sem legião; é, sei lá, uma vocação
: ser todo Atitude, peregrino da virtude, gatinhar assim pela sim-dade
enquanto os não-rrrrmais pensam dormir, seduzir a Lua (sobretudo a Nova, porque não preciso de a ver para a sentir) e deduzo, a partir de hoje, miar diariamente às vossas antenas como nunca antes se ouviu
: sonhai e criai todos, saí do marasmo, fazei da vossa vida um orgasmo, fartura em todo o lado, abundância em leitinho, “uh-ah-zubi-zaba-nobi”
(oh, que alegre fado!) e, vá, votai no gatinho… Miu?


Suzana Guimaraens

sábado, 24 de julho de 2010

Verão na Travessa de Cedofeita
























Dai o poder ao gato.
Ele não finge para a fotografia
; nem para si próprio.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O meu namorado























É forte e salta do 3º andar.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

"Minha cuôisa bóua"...



















... Já tem nome. Começa por W.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Cu-cu?


















Ainda não tem nome...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Coup de Foudre


(Perto de casa.)

Sucumbi ao impulso: parei o carro no meio da rua - sem os quatro piscas - e fui ter com ele.

" - Dás-me um coiso, dás?..." E ele deu.




Eu

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Doce e goda Teca...


(Quinta da Tia Cândida)

"Teca, não papa o peixinho, não?"

Teca não papou o peixinho. Teca apenas saciou a sede... Teca faz sempre assim.



miinheeeU

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