(gritando para o minarete) Senhor, viu uma bomba passar por aqui? (falando) E o senhor padre, viu?... Alguém tem de a parar! Ela não tem culpa, foi ensinada a ser assim... “Esperar na rua – por que não?”, pergunta o senhor rabino? E viver de esmola é essa a sua sugestão? Se pressentisse uma bomba em casa, iria lá para fora, assim, sem hesitar? Os seus retratos, a sua Tora, talvez; mas a sua dignidade também é coisa a despejar? Eu sou viúva e tenho uma bebé e um pai doente em casa, senhores, e não tenho p’ra onde os levar. E não é terramoto, nem furacão; é apenas uma bomba que se pode desensinar. Haverá igreja, mesquita ou sinagoga que a consiga converter? (silêncio sepulcral) Senhores, vou para casa contar-lhes de uma bomba que se tornou pomba e dos nossos quatro corpos misturados a ascender…
Suzana Guimaraens
1 comentário:
Muito bom, querida Susana.Deve ficar giríssimo na tua voz!
Beijos afinados* :)
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