sexta-feira, 18 de junho de 2010

"... de cinzas a neve"




Talvez não haja coincidências.
É sempre um exercício saudável relativizarmos o uso das palavras.
Sendo que há bichos e bichos, há em mim esta fome e esta sede - juntas - de ser cada vez mais bicho ou mais flor ou mais pedra ou mais molécula de neve.
Mais Coisa? Mais Alma? Mais inteira porque, afinal, é aqui que estou e posso estar - ambas. Privilégio tamanho .
Temo estar a parafrasear-me; porém, é tão intenso este sentir a palavra e a imagem cada vez mais como proposta de Presente, de Certeza, de Verdade, de Sonho mais expandido na realidade. Sem ter de depender da esperança, sem ter de me ocultar atrás do medo, sem temer as dúvidas. Sem ter que ver televisão para me sentir sintonizada com a Vida que nos fabricam. Sem ter que me alienar para me encontrar. Sem ter que beber alcoól para me inspirar. Só me falta deixar o Cymbalta e o Lorenin. Não, não tenho ponta de vergonha em partilhar a minha medicação. É uma condição temporária. Tal como eu estar aqui, temporariamente. Talvez o Gregory Colbert menos. Talvez o José Saramago menos e agora, finalmente, eu comece a lê-lo.
"A questão é" o que sou, durante o bicho de carne, os seus ossos, as suas cinzas, a neve e, depois, entre as moléculas da neve?

1 comentário:

Filipe disse...

Em termos oficiosos o que se me oferece dizer não é fruto de um pensar amadurecido e ou de um estudo bem organizado, mas tão somente resultado do estímulo ou mote que me dás! O ser humano é um bicho que segundo os mais sabedores do que eu integra também um espírito ou alma! Segundo uns, em termos míticos e criacionistas, Deus tê-lo-á feito à sua imagem e semelhança, portanto dotado de potencialidades que terá de ir desenvolvendo até ao fim do tempo numa espécie de luta consigo próprio (o animal) quiçá eterna! Segundo Darwin e muitos outros o homem é o resultado duma evolução em crescimento pelo que o seu cérebro poderoso também vem desenvolvendo capacidades que os outros animais não conseguem! De qualquer forma essa convivência íntima do animal e da alma não é sempre pacífica. Assim, ora o animal se impõe, ora a alma consegue domar o animal sendo que o ideal seria que em todos os momentos da vida alma e animal estivessem em sintonia plena ora gozando as sensações próprias do animal munido de alma, ora dando asas à alma animada pelo corpo onde reside! Quase me atreveria a dizer que, quando alma e corpo viverem simultaneamente sem que cada um esteja puxando o outro, ou chegaremos ao fim dos tempos ou o tempo deixará de existir!


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