quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma questão a não pensar


a António Pedro Ribeiro


Só seremos poetas quando soubermos
posicionar os Corpos ao levantarmo-nos da cama
todas as manhãs.
Desengane-se quem julga que tem que ver com caneta e papel,
inspiração, uns libertadores copos e leituras referenciais a mais:
essa Força criadora também não selecciona horas, objectos ou rudimentares
estados emocionais;
para ela a paixão tem o valor de uma pedra, o tumulto o esguicho de uma maçã trincada, a meiguice a primeira aguada
[porque tudo é Uno quando sabes quem és]
mesmo emaranhado nas rotineiras demãos e,
se fores poeta,
saberás que a tua cor não se esbaterá nessa tela do obscurecimento
dos mitos parciais,
saberás que te encontras inteiro, mesmo que espartilhado;
porque o futebol, a literatura, a religião, a política,
todo o dinheiro que compra as marcas,
os gajos bons e as gajas boas de mamas boas,
dissolvem-se nesse Verso Maior que és tu desde o início da Eternidade
em que já eras o Verbo
e o Sujeito, com todos os Predicados e todos os Complementos:
as caixas de comprimidos, a mãe, os amigos dos amendoins tertulianos, as musas cibernéticas e antitéticas
e as horas que marcas a sós contigo para te desencontrares.

“A questão” já não é se queres pensar como os filósofos e escrever como os poetas, ou vice-versa.
“A questão” é para quê pensar tanto – tantos os conceitos, tantas as palavras! –
sendo que já és o homem-poema-Coração-por-se-escrever.


Suzana Guimaraens

6 comentários:

Sun Iou Miou disse...

Beleza.

Alma disse...

:o)

Richard Mathenhauer disse...

Gostei do seu texto e do seu espaço.

Abraços,

Filipe disse...

A Maryah

Desencontro!

Cada dia que passa
Mais descubro e reconheço.
És o que há tanto procuro,
Mas minha não serás por mais que faça!
Passei demasiado tempo no caminho,
Tomei atalhos diversos!
Garantir o futuro dos meus
Pareceu-me a atitude correcta.
Se não devo amar os olhos teus
Porque não nutrir por ti carinho?
Não podes ser a minha meta,
Deves buscar o teu abraço,
Essa é a atitude mais certa!
Sonhar não paga imposto,
Dizes de tão longe para meu desgosto!
Como seria ser o teu abraço,
Repousar minha cabeça no teu regaço?
Meu tempo já não existe,
A vida passou, bela, entretida,
Minh’alma está ferida,
Gasto está o meu corpo,
Nada há que o modifique!
Fiquei preso no tempo, no espaço,
Jamais poderei ser o teu porto!
Por isso, Maryah, doce e linda,
Haverás de encontrar o teu abraço,
Amor, carinho, ternura enfinda!
Eis o teu fado, os votos que faço!

Jorge Mota

apedroribeiro disse...

obrigado.

apedroribeiro disse...

obrigado.


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