sábado, 26 de dezembro de 2009

sem título

Simon est mort
Simon está muerto
Simon is dead

e não terá sido inédito: leucemia rimou com pneumonia
enquanto ele ia; todavia, não devia, que bem o sabia
porque a saudade da companhia certa faz, por vezes, tocar à campainha errada
e parecem meras letras escritas em cima da cabeça,
porém é essa a ilusão

e os corrompidos até poderão esfregar as mãos pelo seu pretenso silêncio
e o cabelo dela ainda ondular no ar depois desse gesto hierático
– como um berilo –
e até o teclado apoderar-se do pó e da cinza,
mas é a saga da ilusão
porque os corrompidos não entenderam que o seu rouge é de longa duração
(como as pilhas de alguns gatos)
assim como não compreenderam que
a liberdade foi a prenda que ele se ofereceu neste Natal
e a ela
uma liberdade por embrulhar
por ser [demasiado exacta]
daquelas que aliciam a continuar jornadas
(na sua pretensa ausência)
para que ela acreditasse na presença deles
e na nossa
bem como nestas palavras

: que ele sempre soube que ninguém precisava de ninguém para se proteger,
mas havia palavras por dizer que foram ditas
– como águas-marinhas –
palavras que fizeram vidas
e mais palavras que atestaram outras
que irão continuar
e agora
Simão morreu,
mas não é a morte:
“é a vida!”
e a vida não é [Coisa] para chorar


Suzana Guimaraens

6 comentários:

Anónimo disse...

Simon está vivo, na minha imaginação!
"É a vida!" e como a minhã mãe dizia "umas vezes curta e outras vezes comprida.
Obrigada por esta homenagem.
Sissi

Alma disse...

O que é a imaginação?

Sun Iou Miou disse...

Os mortos que quisemos acompanham-nos a cada hora, como abraços no ar que desenham vazios. Mas não tenho certeza nenhuma de que eles saibam isso. E essa é a tristeza maior.

Sun Iou Miou disse...

O texto, esqueci dizer, é brutalmente belo.

Alma disse...

Sissi, mais do que homenagem, se me permites, faz parte da minha terapia...

Sun lou Miou, "como abraços no ar que desenham vazios" - isso sim! - é "brutalmente belo"...
Agora, que eles não saibam mais até, mnn mnn...

Beij*s

Anónimo disse...

É o imaginário que existe enquanto somos crianças e que nesse tempo da vida, vemos tudo como verdade, verdadinha.Essa verdade, verdadinha já não é acreditar, é "Sentir", porque a criança que existe dentro de mim alargou os olhares...
Sissi

P.S.Lê homenagem como terapia


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