quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pois...

Também peço cada coisa :o)

Poemas com a palavra "pedra(s)"! Tssddt! Como se as pessoas não tivessem mais nada para fazer...
Como se alguém viesse a este blogue perder tempo! *Ai ai*

4 comentários:

flashspress disse...

rsss...pedir não custa!

Alma disse...

*xnif xnif*

Anónimo disse...

Alice Ruiz
tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado

Alice Ruiz

Anónimo disse...

Estou sentado no trono de pedra
que me entregaram os deuses para pensar em ti.
Em frente, o mar oceano abre-se como um limite
inexpugnável à minha solidão despojada,
levemente tocada por ínfimas recordações
do tempo em que a felicidade existia
e os ventos eram ainda o bálsamo apaziguador.
Tomo um álcool fortíssimo que me violenta
as entranhas com um vómito grotesco
e abro as narinas para a brisa salgada
que vem dos lados em que a claridade mortiça
cega atrozmente as aves de arribação
que hão-de partir para outras paragens
mais dóceis que esta provação infinita.
O céu despeja no horizonte brilhos e sons inefáveis, crispa
os fugazes navios que demandam a salvação, dissipa
as últimas nuvens que lentamente se transformam
em minúsculos grãos de fogo
que infectam os ares com os silvos agudos que produzem
na queda.
Atrás de mim, a grande mão das coisas
levita suavemente pela escuridão da cidade,
arrastando pelos cabelos a cabeça degolada do último profeta
que em vão invocou o teu nome antes que a trombeta soasse
e a perdição fosse total e definitiva:
– " Não sou deste lugar e o meu reino é outro."
Sob o meu olhar desolado um cisne
inscreve na neblina a dúvida insolúvel,
penso em ti,
o mar imortal da nossa redenção,
o efémero mistério da eternidade
que salva e castiga.
Amadeu Baptista


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