sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Para Z

Mulher do olho de vidro, punhas de molho o olho e os teus remorsos, em água choca, num copo de vidro, para adormeceres com um buraco, como um buraco, imenso e disforme, tu e o vidro – e mais ninguém. E foi só para ver se morreste – e não por bem – que fui ao teu funeral – com mais ninguém. Leva contigo o meu inferno, onde hás-de arder, devagar e de mansinho, por decreto meu e de toda a tua família – que sente nojo, sim, mas só do olho, pobrezinho! – E, ainda meia cadáver e já em brasa, o teu olho há-de saltar e eu logo o hei-de apanhar para brincar aos berlindes da varanda do 7º andar da minha nova casa…

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