terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Chegámos à Lua... E agora?"


Esta foi a fotografia possível de um anel chamado "Chegámos à Lua... E agora?" que encontrei, por feliz acaso, na feira medieval de Santa Maria da Feira.
Um anel para usar, para contemplar, para sentir...? Não cheguei a uma conclusão - seria para chegar? - a não ser que estava perante uma coisa com alma.

"Chegámos à Lua" e não existia um único computador operacional, um único jogo de tabuleiro, um único CD interactivo na ínfima sala de Educação Especial de uma escola pública, que albergava diariamente, e em simultâneo, 14 alunos com "Necessidades Educativas Especiais de Carácter Permanente", com os quais era suposto implementar um "Programa Educativo Individual".
"Chegámos à Lua" e há pessoas a morrer de fome enquanto escrevo e há, até, quem lhes tire fotografias e ganhe um prémio com isso.

Não é, todavia, isto que somos, nem é este o nosso ponto de chegada. Na verdade, não é preciso ir muito longe para encontrar "destinos" importantes. Talvez, até, seja mais importante o caminho do que o destino. Talvez o caminho seja "daqui-ali", daqui-aqui... Estamos a descobrir.
Podemos ver mais peças, para envergar e/ou despoletar emoções e eventuais conexões com o que, realmente, somos, aqui: New-Karma.
Boa viagem.


3 comentários:

espacoaberto2009 disse...

andamos com certeza(governo) com a cabeça na LUA.

um abraço alu(n)ado

serrata disse...

"Chegamos à lua e ..." nada porque as palavras tomaram conta do mundo: a «14 alunos com "Necessidades Educativas Especiais de Carácter Permanente"», responde-se com um «"Programa Educativo Individual"»; a "600.000 desempregados" responde-se com "Apoio às PME"; fica resolvido.

As palavras valem pelas coisas e, combinadas em expressões, assumem proporções gigantescas: não vale a pena questionar o que se entende por: “programa”, “educativo” ou “individual”, nem sequer questionar como é que aquele “programa educativo individual” dará resposta a “alunos com necessidades educativas ....”.

Chegamos ao paroxismo de questionar as intenções, a competência, de quem se expressa mal; somos capazes de apontar com ironia, a ironia do outro, esquecendo que uma ironia é uma mentira. Somos capazes de exigir, com ironia, pragmatismo e verdade.

Se der uma voltinha pelos blogs "políticos" (o que não aconselho), que nesta fase da nossa vida "democrática" andam tão activos, verificará como a palavra é tudo e de como à volta das palavras tudo se justifica.

Ia dizer que estas de que falo são “palavras sem alma” mas já nem sei se haverá outras. Acho que já quase não há palavras com alma.

Chegamos a este ponto por (não me canso de o dizer) não seguirmos o conselho de George Oppen. Hoje, o gesto não tem nenhum significado; o estilo, a palavra, é tudo.

De qualquer maneira é preciso não desanimar; contra as palavras sem alma, usemos palavras com alma ... mas também maçãs; isso é que é obrigatório.

Bem haja

Filipe disse...

"Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta,
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.!

Sophia de Mello Breyner


contador gratis