O que eu queria mesmo era um vestido de borboletas
vivas
borboletas multicores
ou, então, brancas bio-luminescentes
ou, talvez, vestido nenhum
sim: eu preferia um vestido-nenhum
sem pele
despida até aos ossos
até à estrela
e brilhar rumo ao altar
sozinha
ofuscante e terna
tão ternamente só
sozinhamente inteira
inteiramente dentro
toda
e, tão de cima,
dizer adeus às borboletas
num orgasmo sem tempo
Suzana Guimaraens
10 comentários:
Rumo ao altar da solidão, vestida de nenhum vestido ,pousando sobre o leito da tua própria ideia de não estar em pose senão para ti mesmo. Gostei muito deste "vestido-nenhum"
Andava há que tempos a querer falar disto: http://www.youtube.com/v/WOt15JsLloU
Este é o momento: um clique improvável ou talvez nem tanto.
Serrata, às vezes sonho assim.
By the way: http://www.youtube.com/watch?v=DXr3CCQPxJY
O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da sua vida?
MF
Pode não valer muito, de facto; mas não há outra maneira.
Responder com "a realidade da sua vida" é tornar inútil a pergunta. É chamar cego ou, vá lá, distraído ao perguntador.
Será possível um verdadeiro teste de coerência sem palavras? Acho difícil.
Não será a coerência absoluta dos animais (irracionais) justificada, precisamente, pela ausência de palavras?
Não há pergunta. Não há resposta.
Há o Ser(-se) dentro do sonho, sempre incoerente, sempre absoluto.
Talvez uma borboleta efémera que se sonhe essência de asa.
Talvez uma essência de asa que se queira mulher inteira.
Talvez apenas uma mulher que se queira essência.
... gugol "inteiramente dentro".
Pois não, não ha pergunta. O que é que se pode perguntar às pessoas com palavras?
MF
Eis uma pergunta (sem palavras?)elaborada por alguém bem conectado à realidade.
Vou desp(ed)ir-me... com licença!
Enviar um comentário