terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

vestido-nenhum
























O que eu queria mesmo era um vestido de borboletas
vivas
borboletas multicores
ou, então, brancas bio-luminescentes
ou, talvez, vestido nenhum

sim: eu preferia um vestido-nenhum
sem pele
despida até aos ossos

até à estrela

e brilhar rumo ao altar
sozinha
ofuscante e terna
tão ternamente só
sozinhamente inteira
inteiramente dentro

toda

e, tão de cima,
dizer adeus às borboletas
num orgasmo sem tempo


Suzana Guimaraens

10 comentários:

Sílvio disse...

Rumo ao altar da solidão, vestida de nenhum vestido ,pousando sobre o leito da tua própria ideia de não estar em pose senão para ti mesmo. Gostei muito deste "vestido-nenhum"

serrata disse...

Andava há que tempos a querer falar disto: http://www.youtube.com/v/WOt15JsLloU

Este é o momento: um clique improvável ou talvez nem tanto.

Suzanna disse...

Serrata, às vezes sonho assim.

Suzanna disse...

By the way: http://www.youtube.com/watch?v=DXr3CCQPxJY

Anónimo disse...

O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da sua vida?
MF

serrata disse...

Pode não valer muito, de facto; mas não há outra maneira.

Responder com "a realidade da sua vida" é tornar inútil a pergunta. É chamar cego ou, vá lá, distraído ao perguntador.

Será possível um verdadeiro teste de coerência sem palavras? Acho difícil.

Não será a coerência absoluta dos animais (irracionais) justificada, precisamente, pela ausência de palavras?

Suzanna disse...

Não há pergunta. Não há resposta.

Há o Ser(-se) dentro do sonho, sempre incoerente, sempre absoluto.

Talvez uma borboleta efémera que se sonhe essência de asa.

Talvez uma essência de asa que se queira mulher inteira.

Talvez apenas uma mulher que se queira essência.

serrata disse...

... gugol "inteiramente dentro".

Anónimo disse...

Pois não, não ha pergunta. O que é que se pode perguntar às pessoas com palavras?
MF

Suzanna disse...

Eis uma pergunta (sem palavras?)elaborada por alguém bem conectado à realidade.

Vou desp(ed)ir-me... com licença!


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