quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Que eu saiba

- Dada?

- Sim?

- Sinto-me só.

- Pois sentes.

- Quando choro sou só eu e as minhas lágrimas e o mundo ao longe.

- Esquece o mundo. Fecha o circuito em ti. Seca as lágrimas. Reza.

- Eu tento...

- O que falta?

- Não vejo luzinhas à minha volta…

- E a ti, tal como és?

- A mim?

- Sim... Vês-te?

- Não vejo ninguém. Não vejo nada.

(Silêncio)

- Quando tentas, o que sentes, o que pedes?

- Sinto a minha dor. É aguda. Peço o seu silêncio. O fim... Mas não consigo. Sou só eu e a dor. Na solidão. Não deixo de pensar, de sentir... Dor... Solidão...

- Então deixa-te pensar e sentir. Pensa. Pensa. Pensa. Sente. Sente. Sente.

- Sim, e depois?

- Depois espera até deixares de pensar e de sentir.

- E depois?

- Depois de esgotares todo o pensamento e todo o sentimento, irás para além da dor.

- Devo fugir de mim?

- Entrar em ti. Entra-te. Com fervor. Sem medo.

- Entrar-me? Mas eu já estou em mim. Eu sou eu...

- Serás? Então, porque dói? És tu essa dor?

- Sou a dor, mas não só…

- “Mas não só”... Entra no “não só”.

(Silêncio)

- Entendo.

(Silêncio)

- E depois?

- Depois respira. Respira só. Demora o tempo que for necessário até estares, inteiramente, dentro.

(Silêncio)

- E depois, dentro de mim, verei as luzinhas?

- Talvez as luzinhas, talvez muito mais do que luz, talvez nada... É importante, depois de seres para além da dor?

- Não.

(Silêncio)

- Dada?

- Sim?

-Parece tão simples... Por que é que não o faço, se está em mim?

- Por que é que não o fazes, se está em ti?

(Silêncio)

- Dada?

- Sim?

- Eu sou tão mais do que aquilo que penso e sinto.

- És.

(Silêncio)

- Dada?

- Sim?

- Que eu não tema enfrentar a minha dor.
Que eu me reconheça para além da dor.
Que eu saiba respirar.
Que eu saiba entrar em mim.
Que eu me veja inteira, nem que seja por uma milésima de segundo.
Que eu não tema questionar-me.
Que eu não tema fazer perguntas ao mundo.
Que eu não seja, docemente, enganada nem engane, docemente.
Que eu não tenha de pensar uma coisa, dizer outra e fazer outra.
Que eu não tenha de viver com alguém por temer viver comigo.
Que eu não tenha de mentir para ter alguém perto.
Que eu nunca me traia.
Que eu nunca me traia para que alguém se traia a si mesmo.
Que eu não me engane a mim mesma.
Que eu nunca me engane a mim mesma.
Que eu não me renegue a mim mesma.
Que eu não seja mártir de mim mesma.
Que eu não tenha medo de mim mesma.
Que eu saiba salvar-me.
Que eu saiba salvar-me de mim.
Que eu saiba ser-me.

(Inspira-se. Expira-se. Inspira-se. Expira-se. Entra-se. Respira-se. É-se.)

5 comentários:

Sara disse...

É bom poder sentir um pouco da minha essência através do que escreveste neste texto reflector.

Obrigada!

Bom fim de semana minha rosa pura!

beijo nos olhos

Suzanna disse...

Obrigada eu, por seres essência inspiradora.

Bom fim de semana, meu Girassol-Sol!

Beij*s nas tuas pétalas de Luz

Sam disse...

"Entrar em ti. Entra-te. Com fervor. Sem medo."

por momentos pensei que era uma aula de educação sexual! lol

Quando quero ver luzinhas eu faço como a princesa Diana...enfio-me contra uma ponte...dura poco mas vemos muiotas estrelinhas a andar à roda!
lolol
( estou mesmo parvo hoje )


sabes, no fundo, temos medo do Amor. O amor é o caminho mais proximo de um ser para outro, e para nos tb. Se dermos 1 passo na sua direcção, o amor dará duas na nossa!
( que benito )lol

Beijo doce em ti amiga, e bom fim de coiso! Não te esqueças de amar.

Suzanna disse...

Tinhas razão, Sam. Também és da construção; fazes é questão de disfarçar mais. Sei que te esforçaste para não "aparvalhar" muito mais... Bem hajas! ;)

Beij*

Filipe disse...

Aprende a entrar em contacto com o silêncio interior e descobre que tudo na vida tem uma razão de ser.

Elisabeth Kübler-Ross


O desenvolvimento material destina-se a proporcinar-nos um bem-estar físico e a libertar-nos do sofrimento físico. No entanto, é difícil libertarmo-nos completamente do sofrimento utilizando somente meios exteriores, não é? Desta forma, descobrimos que há uma grande diferença entre buscar a felicidade fundamentada em factores materiais e buscar a felicidade baseada no nosso estado interior.

Dalai Lama


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