quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lento Despertar


(algures, do Porto)

- Dada?

- Sim?

- Tenho medo.

- Medo de quê?

- Ainda não sei.

- Não tenhas.

- Preciso de fugir.

- Talvez não precises.

- Mas, Dada, aqui sufoco.

- Então, foge. Se regressares, estaremos todos aqui à tua espera com as nossas imperfeições.

-Talvez não volte. Talvez me esqueça do caminho por me ter esquecido de mim…

- Talvez não voltes, mas o teu caminho terá de ser retomado onde quer que o deixaste. Para onde quer que tenhas ido... Aqui ou lá. Na verdade, o lá que buscas é aí.

- Talvez. (silêncio) Dada?

- Sim?

- Tenho medo de mim.

- Eu sei.

- E agora?

- Agora, enfrenta-te.

- Dói ser eu toda.

- Não te iludas. És tu que queres que doa para te sentires heroína. Na verdade não custa nada ser o que sempre foste.

- Talvez. (silêncio) Dada?

- Sim?

- Acho que falta pouco.

-Eu sei.

(silêncio)

- Dada?

- Sim?

- O meu fim é o meu começo.


17 comentários:

MESOTHELIOMA CURES disse...

hi

Suzanna disse...

Hi. Good luck and good vibes! Cure is the way :)

*

inespimentel disse...

Enquanto crianças habita-nos uma curiosidade incontinente!
Na adolescência já dominamos e sabemos tudo... melhor do que ninguém!
Já maduros atingimos que, por mais que saibamos, muito mais é o que ficou por saber, e aprender é contínuo e por toda a vida!
O fim dessa presumível sabedoria é o início do caminho. O fim que gera o princípio!
... digo eu!

Nuno disse...

Concordo com o comentário anterior.
Normalmente o fim gera um novo princípio.
Beijos

Sara disse...

Simplesmente: MAGNÍFICO.

Um MAR DE BEIJOS PARA TI.

Suzanna disse...

É muito interessante a forma como sentiu e interpretou este diálogo-aberto. Disse e disse muito bem. Bem haja, Inês, pelo seu retorno.
É mais do que bem vindo. É uma forma de eu própria perceber melhor as palavras que saem de mim...

Beij*s

Suzanna disse...

Princesa, tu estás muito presente neste diálogo-aberto. É essencial que o saibas!

Beij* "azul e branco"

Sam disse...

Acabamos todos por ser pequenas estrelas solitárias que caminham em direcção a casa.
Beijo doce.

Suzanna disse...

Hajam as estrelas certas para partilhar a sua Luz e já não seremos tão solitárias.

Sam disse...

somos sempre estrelas solitárias amiga. e no fim morremos nos nossos braços.

Blimunda disse...

Estrelas nunca o seriam se não existisse firmamento. Talvez então não sejamos assim tão solitários.

Vi nitidamente expressa aqui a mensagem de Paulo Coelho em "Alquimia".

Obrigada pela visita ao coiso que é meu e de mais 3 amigas.

Mofina Mendes disse...

Caramba, gostei!

Suzanna disse...

Blimunda, nunca li nada de Paulo Coelho (ainda!). Foi um prazer coisar no vosso coiso. Parabéns!
E concordo contigo: as estrelas não se pertencem - são do firmamento.

Longe de solitárias, não será por mero acaso que irradiam Luz... Para si mesmas? Hmnnn... na.

Sam, é curioso mencionares "braços" (para além de estrelas). Já viste a pintura da Elisabete Monteiro? (Está na mensagem, imediatamente, anterior a esta). Na verdade, não sinto os meus braços assim tão meus, por isso, mesmo que morra sozinha (ou "solitária") terei sempre uma vaga sensação de estar a devolver o que foi meu por empréstimo... Só espero que eles tenham "crescido" muito, muito, entretanto :)


Beij*s estrelad*s a Todos

Nelson disse...

(...)

- Eu sei.

- (silêncio) Dada?

- Sim?

- Estou de partida...

- Ou de fugida?

- Talvez. (silêncio)

- Até já.

- Até sempre.

(silêncio)

- - - - - - -

Bom (re)começo depois de mais este fim! Até já! ;)

Sam disse...

Beijo doce e bom fim de coiso amiga!

Adérito, o tasqueiro disse...

Obrigado pela visita à Tasca :D
Espero ver'te lá mais vezes.

Quanto ao texto, muito bonito.
Saudações Tasqueiras.

Filipe disse...

Tal como nascer, morrer é o princípio de outro começo! Não tenhas medo do fim! Apenas vive preparando-te para o fim como se fora a meta que te transporta para um novo início!
Jorge Mota


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