Quantas vezes por dia somos inteiros no que dizemos e no que fazemos?
No como o dizemos e no como o fazemos?
E se pudéssemos ser cada vez mais inteiros?
Sem fragmentações auto-hetero-impostas? E se pudéssemos ser cada vez mais autênticos? Deixar cair lentamente máscara a máscara, a máscara da máscara, até ficar pele, só pele, sem a cosmética da incoerência do engana-te-a-ti-próprio, do sê-assim-porque-fica-bem.
E se pudéssemos ser cada vez mais essência, mesmo a parte podre, e amarmo-nos mais a nós próprios e ao Outro nessa genuinidade despudorada “nua e crua”, primeva, ainda assim, apurada, mesmo sem maquilhagem, sem depilações, sem cabelos pintados ou madeixados, com hálito da manhã, remelas e peido… Porque a pele é macia, mesmo com rugas e sente dor e prazer, mesmo com rugas. (O cheiro da minha avó Júlia era doce, ajasminado…)
E se pudéssemos operar a fusão dos heterónimos, dos criados por nós em nós e em nós pelos outros, tirando o "Srª Drª" e o "Sr. Inginheiro”, sem ter de escolher entre o ser-se espiritual e o gostar de bom sexo?
Não me compartimentem, não me carimbem títulos. Isso está para o eco-ponto: "Não misturar plástico com vidro!"
Freiras estanques, putas estanques, deixem-se ser inteiras! Assim desaparece o pecado. É inevitável. O que é inventado tem de se dissolver.
E se acreditar no, até aqui, inusitado é “ter pancada”, então eu tenho.
Se dizer “não” ao “tou excitado” porque não sinto é ser má, então eu sou.
É a globalização dos orgasmos. É a extensão totalitária do prazer. Quem se expõe está a ser programado, condicionado, tal como o cãozinho de Pavlov.
Oh, deixem-se ser INTEIRA, UNA-NUA-pensamento-palavra-acção!
Posso?
Suzanna