segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Not Alone Anymore


(acesso À praia)


My paths have always been your paths. Now I know I'll never feel alone anymore.



I

quinta-feira, 20 de novembro de 2008



O tempo parou sem que a abóboda celeste deixasse de girar.

Uma estrela cadente tão próxima, tão veemente, ainda assim, demasiado fugaz...

Deixei lá uma susana, que já não fazia sentido, mergulhada nas águas. De vez em quando lembro-me dela, com ternura.

Hei-de deixar lá mais susanas e regressar sempre Suzanna, cada vez mais perto...





EU

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Carta nunca Enviada

Na verdade, nós não inventamos nada. As ideias, os conceitos, as palavras andam por aí à solta, gravitam à nossa volta, fremitantes, ávidos, disponíveis para serem apanhados por quem quiser...



Deusa…

Sim, é assim que te chamo, é assim que te evoco nos meus sonhos a dormir e acordado. É assim que te tenho em mim. Foi no que tornaste com o passar do tempo.
Eu apenas sou um homem diferente, de carne e osso, que quer pôr fim à dúvida.
Sabes?... Nada melhor do que a dúvida para alimentar a paixão e a obsessão…
É verdade que sou um homem limitado ao seu orgulho.
É verdade que para te sentir inteira a meu lado teria de saber.
É verdade que para ser inteiro ao Teu lado teria de saber… São as dúvidas que me apoquentam os dias. Já me conheces. E eu queria desfazer algumas… Sim, quero a verdade… É urgente a verdade para Te ter ou para me desfazer da quimera, ainda não sei… Só Tu me podes dar essa verdade que eu sinto merecer.
Deusa, preciso de ter a certeza de que não escreveste as cartas ao “falecido”.
Deusa, preciso de saber se os sentimentos por ele eram, de facto, transcendentes ou se apenas me provocavas para eu querer ser mais em Ti, para eu simplesmente ser mais, de forma inequívoca e mais inteira.
Ironicamente, foste Tu quem se foi convertendo nesse ser transcendente e inacessível, envolto em mistério e misticismo. “A Deusa Feiticeira”…
Ironicamente, também, sou eu agora quem Te escreve uma carta em papel… Bem sei, nos dias que correm, romântico demais. Apeteceu-me. É algo que se toca e cheira. Imanente. Algo certo, que não desaparece com uma falha de electricidade ou de uma bateria. Porque incerto já foi o nosso caminho. Porque incerto já sou eu, nas minhas falhas, na minha indolência, nas minhas inseguranças, nas minhas incertezas, na minha volubilidade. Perdoa-me, se conseguires.
O que me surpreende em mim é que, apesar das dúvidas acerca dos Teus actos e sentimentos do passado, é o amor que me move a escrever estas breves linhas. É o querer aceder à Deusa do presente. Não é a obsessão. Não é apego à memória. Já o foi, durante o tempo suficiente. Mas basta! Agora é o Amor e a esperança em Nós o meu combustível.
Digas o que disseres, respondas o que responderes (ou não) estarás sempre em mim. Com a mesma certeza com que o afirmo, também sei que não conseguirei conviver ao Teu lado sabendo que amaste outro e que lhe escreveste cartas de “amor transcendental”… Sobretudo sendo esse “outro” um ser tão corruptível e com tão profundo desrespeito por si próprio e pelos outros. Uma parte de mim lamenta esse orgulho. Outra parte de mim orgulha-se desse amor-próprio. São os meus paradoxos. Espero que me entendas. Porém, conseguirei ter-Te sempre no meu pedestal interno, aquele onde não habitam mágoas.
Deusa, foste um marco, se quiseres, és O marco. E não há como te contornar!
É importante que saibas que contigo nunca estive tão vivo, tão apaixonado, tão perfeito, simplesmente, por estar mais perto. Que soe a pieguice. Estou-me nas tintas! A culpa é Tua.
É importante que saibas que a quereres-me por isto que sou, mesmo com os meus brios de macho, mesmo com os meus labirintos de menino, eu estou aqui. Estou aqui para Ti. Inteiramente nas tuas mãos. Disposto a viver debaixo do Teu tecto. É bom que quanto a isso não haja quaisquer dúvidas.

Pronto, que aqui fique registado para a Eternidade, se é que ela existe… Foi este o caminho que percorri até Ti e agora só me resta saber a verdade. Mereço-a, porque também eu me tornei o mais verdadeiro possível. Mas, sabes? Apesar das minhas dúvidas e independentemente da tua resposta, tenho esta profunda convicção que me acompanhará para sempre:
“Só o Amor é importante!” e seria injusto privar-to de o saberes:

Eu amo-Te, Deusa, e amar-Te-ei enquanto ousar recordar.

E talvez pouco mais haja para se saber…





Sim, dar "Voz" também pode ser dar Vida. Eu gostaria que assim fosse.



Suzanna

domingo, 16 de novembro de 2008

Passer-by


(No passadiço)

Durante toda a tarde, talvez tenha sido o único que me olhou com a Alma nos olhos...


(Ainda no passadiço)






Suzanna

II Posso?

Quantas vezes por dia somos inteiros no que dizemos e no que fazemos?

No como o dizemos e no como o fazemos?

E se pudéssemos ser cada vez mais inteiros?
Sem fragmentações auto-hetero-impostas? E se pudéssemos ser cada vez mais autênticos? Deixar cair lentamente máscara a máscara, a máscara da máscara, até ficar pele, só pele, sem a cosmética da incoerência do engana-te-a-ti-próprio, do sê-assim-porque-fica-bem.
E se pudéssemos ser cada vez mais essência, mesmo a parte podre, e amarmo-nos mais a nós próprios e ao Outro nessa genuinidade despudorada “nua e crua”, primeva, ainda assim, apurada, mesmo sem maquilhagem, sem depilações, sem cabelos pintados ou madeixados, com hálito da manhã, remelas e peido… Porque a pele é macia, mesmo com rugas e sente dor e prazer, mesmo com rugas. (O cheiro da minha avó Júlia era doce, ajasminado…)
E se pudéssemos operar a fusão dos heterónimos, dos criados por nós em nós e em nós pelos outros, tirando o "Srª Drª" e o "Sr. Inginheiro”, sem ter de escolher entre o ser-se espiritual e o gostar de bom sexo?

Não me compartimentem, não me carimbem títulos. Isso está para o eco-ponto: "Não misturar plástico com vidro!"
Freiras estanques, putas estanques, deixem-se ser inteiras! Assim desaparece o pecado. É inevitável. O que é inventado tem de se dissolver.

E se acreditar no, até aqui, inusitado é “ter pancada”, então eu tenho.
Se dizer “não” ao “tou excitado” porque não sinto é ser má, então eu sou.

É a globalização dos orgasmos. É a extensão totalitária do prazer. Quem se expõe está a ser programado, condicionado, tal como o cãozinho de Pavlov.

Oh, deixem-se ser INTEIRA, UNA-NUA-pensamento-palavra-acção!

Posso?




Suzanna

MoTempum

Às vezes gostava de não pertencer a tempo nenhum, sem guerras, sem traumas paradigmáticos. Compreendo, porém, que é, justamente, no estar “Aqui e Agora” que pode surgir o deslumbramento, a esperança, a Vida, o Ser-se-Humano.

É no ser do tempo que a mudança pode ocorrer…


E é esse o tempo: um tempo de mudanças nunca vistas!




EU

I Posso?

Posso preservar-te assim longínquo, puro? Elevar-te a deus e ver, à distância, a tua obra ampliar-se?

Posso?




eU

Clandestinando


(Firenze - foto "sacada" à guisa de Bond Girl)


Quando a transgressão se limita a tirar uma foto e, na verdade apetecia muito mais, instala-se uma incómoda sensação de tédio. Trazer o David para casa não me passaria pela cabeça, nem tão pouco um dedo, mas...
No dito "turismo de massas", que temporiza a nossa própria fruição e que nos encaixa em pacotes, digam lá se não apetecia rasgar com os "cânones neo-clássicos" e imaginar um filme inteiramente diferente rolar... Uma escultura que se re-esculpe, um descer do pedestal, o homem rumo ao pedestal, a fotografia da fotógrafa pela estátua. Ou apenas fugir.
Eu iria jurar que, com esta, o David me piscou no olho, assim meio de soslaio...





eU

domingo, 9 de novembro de 2008

Espelho


(Francelos)

Chovia.

O Céu contemplava as suas gotas vertidas na água, vendo-as misturar num sal purificador.
Com dor segregada, incontida, o Céu não temia o que via. Apenas se deixava ser e contemplar. Havia mais nuvens para verter. Era urgente o reflexo dançado, molhado.

Sem água, o Céu nunca se saberia.



eU

Contra-Luz


(S. Pedro)

... ou Pela-Luz?




eU

A espera


(Tendais)


... da cadeira.

Ela aguenta. Eu também.



eU

Se...

Se eu produzir 4 textos de qualidade em cada 30 anos, ao 60 terei 8.
Talvez dê para editar...



Suzanna

contador gratis