terça-feira, 14 de outubro de 2008

Depois da Chuva












Mourelos. Domingo à tarde. Os primeiros ares de Outono, indeciso entre os verdes e os castanhos-vermelhos-amarelos. Descobri novas trilhas. Há muitas mais por descobrir... Molhei-me, mas não me constipei.




eU

2 comentários:

Nelson disse...

Ainda bem que não te constipaste... mas também ainda bem que te molhaste para nos trazeres esse teu olhar sobre o Outono que começa a impregnar-se nas cores do nosso quotidiano.

Filipe disse...

Poema dum cantor francês Yves Duteil que conta a história duma semente de árvore que se transformou numa canção:

"Foi necessário que um dia um lenhador acordasse
E cortasse um belo cipreste, para vender à serração;
Que um apreciador da madeira, para fazer secar a seiva,
Esperasse pacientemente metade da sua vida.


Foi necessário que um dia um barco o transportasse
E que um velho artesão o preferisse ao pinheiro;
Para que eu parasse finalmente à entrada da sua porta
E ele, com um sorriso, me estendesse a mão.

Eis como esta noite toco na minha guitarra
A incrível viagem dos anos
De uma semente levada por um vento insignificante,
Para se tornar guitarra no fundo de uma oficina.

É a cadeia sem fim dos pormenores inumeráveis
Que fabrica os nossos dias
E se parece com o destino
Que faz cair a chuva sobre os desertos de areia,
E a música brotar dos dedos dos músicos.

Cada pessoa não passa de um elo nessa cadeia imensa
E a vida é apenas um ponto perdido no horizonte;
Mas foi necessário o amor de toda uma existência
Para que uma àrvore morta se tornasse uma canção."


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