sábado, 18 de outubro de 2008

Algumas questões-evasivas-Sendo


(Foz)

A questão é… se os azeiteiros sabem que são azeiteiros,
e se os políticos têm noção do seu grau de corrupção e de como os seus valores apodreceram ao longo do seu processo de escalada ao poder.
A questão é se uma mulher é frágil ou se a tornaram frágil por causa da cruz e da eterna virgindade de Maria.
A questão é se os pais abandónicos se apercebem de cada vez que abandonam...
A questão é se as lavagens ao cérebro são obra de mentes já pré-lavadas e se um regime democrático pode coexistir com uma imprensa manipuladora e um público manipulado.
A questão é se a mentira e a obscuridade têm de durar para sempre.
A questão é porque tantas vezes se age como se tudo já tivesse sido dito e feito, quando há ainda tanto por dizer e tanto por fazer.
E não é por mim…

É por TODOS. SODOT.

Mesmo os indolentes, os instáveis, os cigarra, os procrastinadores, os parasitas, os pássaros livres, com uma bússola em forma de falo, os que vivem de e para os elogios e para os comentários…
Sim, mesmo esses. Porque o simples facto de se estar aqui, mesmo aparentemente sem fazer nada, o simples-estar-aqui emana…
Emana pensamento, emana energia, whatever that means… Quanto mais não seja, emana mau cheiro…
E para se estar não é preciso muito para além de se respirar.
A questão é se se está sendo isto ou sendo aquilo. Sendo poesia ou sendo prosaica sardónica. Sendo o profundo branco ou sendo o negro obsessivo.
Porque nós podemos ser tudo isso… A qualquer momento.

A questão é se vale a pena escrever sobre isto, porque ninguém lê, ou se lê não parece que leia.

A questão é se vale a pena partilhar porque a verdade é que as palavras não mudam nada, apenas ocupam espaço.

A questão é se vale a pena dizer que Vos amo, sendo mesmo assim, se não quero, rigorosamente, ninguém.
A questão é se para Vos fecundar eu tenho de entrar dentro de Vós ou Vós dentro de Mim, ou se basta deixar um ovo aí perto, porque eu não quero adentrar ninguém!
Eu não tenho de entrar dentro de Vós...
Eu não quero ser a Voz de nada...
Eu não quero ser a chave nem de um postigo,
Eu não quero nada a não ser...

Ser




EU

4 comentários:

Anónimo disse...

Ser é fundamental.
Nunca devemos abdicar de sermos nós próprios.
Um Beijo: Nuno

Suzanna disse...

E de sermos o mais genuinamente possível...
Sermos das entranhas, sem termos de ocultar partes, sem termos de nos fragmentar. Sermos INTEIROS.

Obrigada.

Beij*

Nelson disse...

Vale a pena, sim!
Sabes bem que vale a pena Ser, e que vale a pena sentir isso de uma forma simultaneamente autêntica e leve.
Sermos o que somos e gostarmos do que sentimos enquanto somos assim!

MF disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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