quarta-feira, 16 de julho de 2008

Que não me perdoem...

Que não me perdoem os púdicos, os promíscuos, os hipócritas e os indecisos:

Quero fazer sexo

Quero fazer sexo
sexo templo
enquanto Te contemplo
e Te fodo sem contemplações
sexo sem tempo
sexo momento
conTigo
para sempre.

E é sexo
não é amor
é sexo com Amor
e por ser Amor
é que eu quero fazer sexo.


5-Jun-07

eU

2 comentários:

Filipe disse...

Maria Teresa Horta, figura sobejamente conhecida da literatura e não só, no volume 2 da sua obra Poesia Completa descreve sensações eróticas às quais é difícil atribuir muita alma! Mas daí quem sabe, talvez tenham…Nestas coisas as opiniões e mentalidades de cada um ditam os juízos!

Masturbação – I

Eis o centro do corpo
O nosso centro
Onde os dedos escorregam devagar
E logo tornam onde nesse
Centro
Os dedos esfregam – correm
E voltam sem cessar
E então são aí os meus
Já os teus dedos

E são os meus dedos
Já a tua boca

Que vai sorvendo os lábios
Dessa boca
Que manipulo – conduzo
Pensando em tua boca

Ardência funda
Planta em movimento
Que trepa e fende fundidas
Já no tempo
Calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
É esse movimento
Em torno
Em volta
No centro desses lábios

Que a febre toma
Engrossa
E vai cedendo a pouco e pouco
Nos dedos e na palma


Modo de amar – I

Lambe-me os seios
Desmancha-me a loucura

Usa-me as coxas
Devasta-me o umbigo
Abre-me as pernas
Põe-nas nos teus ombros

E lentamente faz o que te digo:


Modo de amar- II

Pôr-me-ás de borco
Assim inclinada
A nuca a descoberto
O corpo em movimento…

A testa a tocar
A almofada,
Que os cabelos afloram,
Tempo a tempo

Pôr-me-ás de borco:
Digo:
Ajoelhada…

As perna longas
Firmadas no lençol…

E não há nada, meu amor
Já nada, que não façamos
Como quem consome…

(Pôr-me-ás de borco,
Assim inclinada…

Os meus seios pendentes
Nas tuas mãos fechadas.)



Modo de amar – III

É bom nadar assim
Em cima do teu corpo
Enquanto tu mergulhas já
Dentro do meu

Ambos piscinas que a nado
Atravessamos
De costas tu meu amor
De bruços eu


Gozo – II

Desvia o mar a rota
Do calor
E cede a areia ao peso
Desta rocha

Que ao corpo grosso
Do sol
No meu corpo
Abro-lhe baixo a fenda de uma porta

E logo o ventre se curva
E adormece

E logo as mãos se fecham
E encaminham

E logo a boca rasga
E entontece

Nos meus flancos
A faca e a frescura
Daquilo que se abre e desfalece
Enquanto tece o espasmo o seu disfarce

E uso do gozo
A sua melhor parte


Gozo – III

Põe meu amor
Teu preceito

Teu pénis
Meu pão tão cedo
De vestir e de enfeitar
Espasmos tomados por dentro

A guarnecer o deitar
Daquilo que vou gemendo

Meu amor
Por me habitares
Com geito de teu
Invento

Ou com raiva
De gritares
Quando te monto e me fendo

E continua…

Por Jorge Mota

Filipe disse...

A mãe do meu filho constituiu um refúgio mal sucedido que me ajudaram a encontrar quando cumpria o serviço militar em Lisboa para tentar afogar um mal de amor rejeitado misturado com uma enorme solidão… Se bem me lembro por razões diversas e que não interessam nunca tive verdadeiro prazer, orgasmos fabulosos, nas nossas relações sexuais… Juntamo-nos, vivemos quase três anos…mas não havia o mínimo compromisso, não havia amor e eu nem sequer assumia muito bem aquela relação tanto que tentei por três vezes terminá-la… Por fim, lá consegui com a minha vinda para o Porto, mas aí surgiu então o velho golpe da barriga…
Dito assim até parece muito cruel da minha parte, mas se pormenorizasse a história tudo se tornaria muito mais claro e natural! Contudo, não vim aqui desabafar e ou fazer confissões…
Já o meu filho que ficara a meu cargo por ordem do Tribunal de Menores contava cerca de dez anos encontrei a Helena por quem me apaixonei…O amor pareceu recíproco durante um curto lapso de tempo e nela julguei ter encontrado a última oportunidade de arranjar uma companheira à altura e uma mãe para o meu filho…e tivemos relações sexuais durante uns tempos. Nessa altura preocupava-me imenso com o seu prazer…Mas infelizmente também foi sol de pouca dura! Em breve, por razões que ainda hoje ignoro começou a rejeitar-me, um dia apanhei-a no cinema com outro e cansei também de lutar…Nesta parte próxima do fim escrevi dois poemas na tentativa de lhe demonstrar o meu carinho já que ela gostava imenso de poesia…Um deles coloquei-o na boca do meu filho tentando fazê-la perceber o quão sério era o meu afecto. Aqui sim, julgo que o sexo que fizemos, pelo menos na parte que me tocava, tinha alma!

O Jornal

Da notícia surgiu
A luz que mágica
Ilumina o momento que passa,
A beleza
O calor humano que nos enlaça,
O fogo perene e brando
Do ledo anseio que nos uniu!

Como esquecer
Sem chorar,
Sem sofrer,
Um caminho belo
Que se abriu?
Da noite se fez dia
E o sol surgiu!

Ao calor, à luz do entardecer
Nasceu o amor do momento que passa!
Oh! Ave rara que esvoaça
Sou aquele que procurando-te
Se perdeu!
Hei! Tu, recua,
Espera, faz uma pausa!
Repara, olha,
Eu sou a ave
Que fica presa
Do momento que passa!
Eu sou aquele
Que afinal foi sempre teu!

F.Sequeira - Porto


Flor Silvestre

Sou o botão de rosa que desabrocha,
Num pé pleno de espinhos!
Flor abrindo para o Sol
Uma vida, sabe-se lá,
Como, pouco a pouco, vai ser amanhã!
Cresço no emaranhado confuso
Dum canteiro rude, mal cultivado!
Oh! Mão que tão suave me acaricia
O teu coração é um jardim,
A tua alma um sereno lago!
Esquece jamais o perfume de essência,
O aroma de inocência que exalo!
Sou o botão de rosa que desabrocha,
Já perdido na solidão deste silvado!
Arranca-me deste emaranhado,
Planta-me na terra do teu jardim,
Rega-me com água do teu lago,
Deita um olhar teu para mim!
O meu pé crescerá firme, pleno,
O meu perfume para ti não terá mais fim!
Sou o botão de rosa que desabrocha,
No meio de cardos, saibro e rocha!
Oh! Ave rara que esvoaça,
Repousa no ramo rude do sobreiro!
Vai dizer à doce Helena…
Àquela pequenina, linda e franzina?
Sim, a que tem andar de “leveirinha”(*) quando passa.
Isso, àquela de coração cheio, mas face de tristeza.
Nem mais, àquela que me ama,
Que teve pena da minha desgraça,
E me achou digno dela mesmo assim!
Vai lá, pia, pia e esvoaça!...
Diz-lhe que me venha buscar!...
Quero morrer na jarra do seu quarto,
Ou viver num canto do seu jardim!

Pelo filho
O pai, F.Sequeira-(*) termo popular


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