sábado, 19 de julho de 2008

Quase vinte anos depois...



Torrencial


Sou monção fora de tempo:
Espremo as nuvens copiosamente
Em chuvas desgovernadas
Faço a dança da intempérie
Evoco bátegas em série
Porque só sei ser de enxurrada
E levar-te de mão dada.

Bato forte, fortemente
Como quem grita para mim
Serei chuva? Serei gente?
Gente não sou certamente
E a gente não chove assim.

Antecipo a Primavera -
Quimera meteorológica
Da lógica da emoção -
Abro alas para o Arco-íris e glorioso Quibir…

… Mas preferes a monção
E a precipitação do devir

Agora somos dois:
Água de pedra e cal
Planeta molhado, por despoluir,
Dilúvio e arca,
O que foi e o que há-de vir:
Aquecimento global em arrefecimento total.


21-Fev-07


eU

1 comentário:

Nelson disse...

Ah! Como o clima muda ao sabor dos tempos!


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