domingo, 18 de maio de 2008

Do you miss me, too...


... Gerês?

A brisa tépida, que tudo acaricia, indiscriminadamente, os chilreares, o sussurro da urze; aqui prevalece o som da água em redor, em baixo... Água, tanta água... Água oculta, todavia audível. O odor do musgo, o respirar da terra molhada.
Tudo o resto era o silêncio e o profundo.

Suzanna

1 comentário:

Filipe disse...

Também gosto muito do Gerês. Já lá estive acampado em dois locais. Da primeira vez estive acampado selvaticamente no campo do Ti Mário pertinho do leito do rio Fafião. A aldeia mais próxima ficava a quase três quilómetros no topo do monte. Foram oito dias fantásticos. Belos banhos nas lagoas do leito do rio de água muito límpida. Cozinha improvisada num caminho da carro de bois muito pouco usado, bacalhau demolhado no regato que atravessava o dito caminho, roupa lavada no rio a secar na relva adjacente, um favo de vespas como vizinhas, um silêncio e um ar puríssimo, noites com a companhia quase constante do piar de um mocho, pequenos almoços bem cedo quando ainda o orvalho da noite se mantinha em tudo quanto era verde e nos rodeava. Noites de luar que iluminavam a encosta em frente quase como se fosse dia! A água íamos buscá-la a uma fonte natural que brotava um pouco acima da ponte já a caminho da aldeia! Quando cheguei a casa reparei que a minha psoríase tinha desaparecido totalmente! Foi resultado daquela paz, da água da fonte natural, dos banhos nas lagoas de água cristalina? Não sei! Sei que me espantou e nunca mais o esqueci.

No ano seguinte fui para um parque de campismo autorizado e apoiado pela Câmara de Braga, O Trote do Gerês. Ficava a dez minutos a pé do rio sobranceiro à aldeia de Cabril que ía desaguar na albufeira de Salamonde. Havia caminhadas guiadas, tiro com arco e quem soubesse poderia dar também passeios guiados a cavalo. O meu filho que aprendeu a andar a cavalo cá no Porto recorda sempre com saudade o seu passeio a cavalo com o respectivo guia e sempre fala da águia enorme que viu lá no topo da serra! Eram muitos os alvéolos, algum espaço para roulotes e havia também uma cozinha comunitária. Tínhamos ainda o apoio de um edifício de madeira com sala de estar, restaurante, café e uma espécie de recepção! Bom e tínhamos também os balneários e os tanques para lavar roupa e louça! Quando cheguei fiquei banzado porque a recepcionista portuguesa não estava e tive que falar inglês com aquela que a substituía. Depois de me instalar mais admirado fiquei porque portugueses acampados por vários dias estávamos só nós, o meu filho e eu. Concluí que afinal os estrangeiros conheciam melhor o que era belo em Portugal do que os próprios portugueses que corriam em debandada para o Algarve! Junto à albufeira havia praias com muito pé. Numa delas onde passei tardes ao sol tinha um vizinho de estimação. Depois de me deitar na minha toalha lá num determinado sítio, passado um bom pedaço chegava um sardão que se punha ao meu lado sem medo nenhum! O meu filho e eu fizemos num dia uma viagem de caiaque na albufeira e tivemos a oportunidade de ver sítios lindíssimos! Mas foi uma aventura que nos causou alguns sustos porque a corrente era um pouco forte e às vezes remávamos um pouco desencontrados. No fim, depois de chegarmos à margem e termos saído do barco, respiramos de alívio especialmente eu que não queria dar parte de fraco perante o meu filho que, embora já com os seus 17/18 anos, se atrapalhou um pouco. Hoje, porém recordamos os dias magníficos que lá passamos e lembramo-nos de um aldeão que lá num dos poucos cafés da aldeia passava a vida a dizer “podes crer”. Recordamos também aquele a quem nós chamávamos o “fanjio” do tractor porque lidava com o tractor com uma tal perícia e velocidade que nos espantava! Finalmente, ainda há dias falei com o meu filho daquele a quem chamavamos o Tarzã do 5º esquerdo. Era um tipo alto e já obeso que tinha a mania de ir sempre à frente com o guia da caminhada fazendo-se muito afoito e bem preparado fisicamente! Só que não ligava nenhum à namorada! Assim, a pobre da rapariga tinha que ser ajudada por toda a gente menos por aquela besta quadrada com a mania que também ía a comandar o ritmo da caminhada!

Jorge Mota


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