sábado, 5 de abril de 2008

Paradoxo

Por que são necessárias as palavras?

Não sentes necessidade de inventar palavras, porque toda tu és tão nova para ti mesma, que nem te sabes?

Quando se é Mar, quando se é pedra, flor e Sol, de que servem as palavras?

Por que é, ainda, tão importante traduzires-te em palavras?
Ouvires-te a ti mesma. Leres-te. Partilhares-te em histórias… Converteres os teus dias em poemas? Como se só assim te soubesses, te sentisses…

Pedes emprestados aos outros perdidos, aparentemente mais eloquentes, vocábulos, locuções à guisa de sentenças – promessas falsas de ti, de fora para dentro.
Pedes ao Universo que te fecunde com fonamoremas grafamoremas fonaluzemas grafoluzemas… E aguardas numa frémita paciência.
Talvez Ele te escreva talvez te pinte talvez te cante talvez te dance talvez te cure talvez te resgate das ruínas talvez te emprenhe talvez
E, talvez, por esse beijo pleno e fértil, sempre parafraseado, já sem palavras, te tornes na criança que nunca foste e rias mais alto do que na tua infância
por mais tempo
por muito mais tempo
num silêncio inteiro



Suzanna

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