quarta-feira, 26 de março de 2008

Três Planos


(pintura de Suzanna)

Num plano superficial, o olhar é quase tentado a desfocar das flores consensuais – "Só flores!"
Estas, porém, não se deixaram dispor num jarra indolente e fúnebre: brotam vivas da Terra Mãe, invisível.
Não conformadas, auto-recriam-se em cada pulsar de seiva.
Oriundas do mesmo caule, iguais na sua essência de flor, singularizam-se na cor, textura, aroma...

Num plano inerte, idílico, surge o voo efémero das borboletas, que, tal como a Felicidade, quando menos se espera, pousa em nós.
Inseguras, frágeis e belas... deixaram-se perpetuar na tela.

Num plano imperceptível, quase subliminar, para além das flores e das borboletas, emerge um padrão feito de corpos. Corpos acumulados de re-existências frustradas. Corpos usados e resignados.
Vazios.
Corpos inferiores ao voo, agora Eterno, das borboletas sobre as flores singulares.

Suzanna

Sem comentários:


contador gratis