sábado, 29 de março de 2008

Desabrochares


(Lá)

“As flores desabrocham lenta e gentilmente, a pouco e pouco, sob a luz do Sol, e uma alma, à semelhança das flores, nunca deve ser impelida nem conduzida, devendo antes abrir-se no momento perfeito, para revelar o seu verdadeiro prodígio e beleza.”

EILEEN CADDY
The Findhorn Garden

Quantas flores não terão desabrochado antes do seu tempo ou, até mesmo, jamais chegado a desabrochar? Uma flor que, apesar das intempéries, acaba por se abrir ao Sol em todo o seu esplendor é um sinal da Terra que, silenciosamente, nos diz: da semente ao desabrochar, tudo poderia ter acontecido, no entanto, ei-la! A perfeição existe. Sem pensar no amanhã, a flor está mesmo ali, bela, frágil e suplicante: contempla-me “aqui e agora”, assim como respiras “aqui e agora”. Tal como tu, apenas estou de passagem…

Na era da imagem, continuo a manter-me distante de testemunhos de beleza viva da Terra Mãe. Tão belas, no seu silêncio aromático, texturado e colorido e, ainda assim, permaneço numa estranha letargia.
Passam-se os dias e quantas vezes acabo a enfiar o nariz num perfume sintético de uma loja âncora qualquer? "À descoberta do perfume perfeito"... Será pretencioso mergulhar, também, as minhas delicadas narinas no aroma de uma glicínia ou de uma rosa de Santa Teresinha? Fará de mim uma excêntrica aprender a assistir ao seu paciente desabrochar? Sintonizar-me com o seu ritmo? Quem sabe, até, apurar-me ao ponto de sentir e viver a/ na sua essência?

Suzanna

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