quinta-feira, 28 de novembro de 2013







quinta-feira, 10 de março de 2011

Até Sempre!



Aldeia I

Comecemos pelo fim


: Bem-hajam todos Aqueles que por aqui coisaram e Aqueles que por aqui coisarão!


O livre arbítrio e o caos – sem coincidências – conjugaram-se. E os circuitos continuam a existir no cyber-espaço e algures por cima das nossas cabeças. Aqui e agora o tempo estacionou, na Primavera de 2011 – que se tornou perpétua graças à palavra e à tecnologia. Quem diz “aqui”, diz uma ponte entre mundos; tal como nós: Pontes. Talvez um derramar anárquico e terno, sempre parcial, embora inteiro na sua essência, de uma parcela do meu pequeno mundo – uma ínfima face do poliedro. A música, as imagens, as palavras – um único Texto – a partir de, e para o Outro, através de Nós. Aglutinando o ortodoxo e o heterodoxo, a sombra e a luz, o passado e o futuro, preenchendo os espaços intra-atómicos, com todas as contradições de quem está em crescimento; no entanto, adivinhando o Absoluto, não tocando, não entrelaçando, mais do que abraçando: fundindo.


Assim se forjam Seres Inteiros. Quem diz “aqui”, diz uma auto-invenção, uma reescrita, um levantamento, uma expiação, uma secreção dos medos e das ignorâncias, rumo à regeneração, à re-evolução celular. A expansão de um pequeno astro rumo ao Sol maior, cada vez mais volitivo, consciente e livre.


Acabemos, pois, no princípio


: dizem ser tempos de crise, de uma terceira guerra-mundial, disfarçada de “loja-chinesa”. Porém, o Português é mais poeta, mais músico, mais dançarino do que nunca – mais Artista. Por força das circunstâncias, é certo; e não raras vezes, indisciplinadamente, sem ter lido, sem ter escutado, sentido todos os grandes escritores, compositores ou realizadores; sem ter ido para além de Espanha ou das auto-estradas do velho continente. Estamos, todavia, perante um povo que tem voz e que irrompe contra um governo desgovernado por lobbies do dinheirinho à escala mundial. Um povo que começou a não votar e começou a Criar. Um povo que se afasta das instituições obsoletas e que se aproxima cada vez mais de si mesmo, da sua própria direção executiva, do seu governo uterino. Um povo que contesta o júri de um festival da canção, porque a palavra “luta”, aliada a dança e a alegria, faz mais sentido do que toda a técnica vocal e instrumental juntas. Talvez um povo culturalmente em estado embrionário, onde a Poesia ainda não atingiu a massa crítica, é certo. A questão que paira é: será a culpa da Poesia ou do Homem? "Estamos na iminência de Algo" e só não sente quem não quer ou não consegue, ainda.


Irmãos-de-Ser além fronteiras, Amigos, meu Amor: tertúlias e manifs já não chegam! É preciso deixar o café e o palco, ir para a rua, da cidade à aldeia, de porta em porta, dar as mãos e os olhos, dançar, tocar, pintar, abraçar, ressuscitar as vozes e os passos adormecidos, conceber de raiz Coisas com a Alma inteira, sem caridade, sem maniqueísmos. Alma, lama, mala... E tudo dentro.


Espaço para o Espírito descer à Voz e às Mãos; para libertar o "Corpoema", para arrancar a trela ao Coração. O Âmago Último já nos habita. É uma questão de tempo, sendo que, no A Alma Em Coisas, apesar das datas, o tempo, realmente, nunca existiu...


segunda-feira, 7 de março de 2011

Este Texto





Este texto é para me matar
talvez uma essência de poema
da pétala de um homem
com a língua nos olhos

(...)


Suzana Guimaraens

quinta-feira, 3 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

«Acordai» e «Arriba Monte!»



Um compositor Português

: Fernando Lopes-Graça

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ontem



Bem-hajam e mais à Lua Cheia e ao Senhor Arrumador, que tão bem interveio. Doravante farei um esforço em dar a "moedinha", sempre que opinarem acerca da numerologia inerente a um texto, de tão humilde e elevado modo (e, sobretudo, se não me derem diretrizes ao estacionar).
Depois de Ontem, o meu Mundo jamais será o mesmo...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Hoje


Hoje, os meus passos
; para lá, para cá.
E o tempo que se fez...
E o tempo o que faz?
E mais o que fazemos dele?

Domingo


Domingo, depois do almoço.

Com quem terei almoçado?
O que terei almoçado?
A quem rezo? Por que rezo? Porquê aqui?

Almagmática enigmática
: ardo tanto por dentro que me ensombro por fora.
Sou quem sempre fui. Apenas me vendes velha, triste e só.
Mas, não. Ofusco-vos. Carrego-vos.


Maria Antónia

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



(Gralheira - Cinfães)


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mãos que te Movem

Mãos que te movem,
Belas que argamassam o finito.
E os teus olhos enigmáticos, doces...
Por aí não se ficam.
E nem a áurea da tua bipolaridade,
Do teu sorriso, te traia.
Restar-te-ão as palavras construídas, tão iguais,
Tão diferentes dos gestos das tuas mãos,
Quiçá sob os feixes do teu olhar, tão suave, meigo.
E com que dureza, e que condescendência.


Virgílio Liquito

sábado, 5 de fevereiro de 2011

miss my miu


Posso? (abridged)

– Posso?... Senhoras, senhores, arrumadores, doutores, da ponta dos meus alvos bigodes (de duas vidas e nove semanas e meia) desejo que o vosso dia flua como um re-gato que se diverte por entre os óbices!
Está um bulldog francês sentado ao fundo do corredor, mesmo em cima da minha cama, e um rei-noceronte em saltos altos (aos pulos que nem uma besta) em cima da mesa da sala e, logo agora: hora da sesta! E sinto-me abstrato, como se não fora um gato, nesta conjuntura surreal. E, em astral pirueta, voo para o telhado.
Dizem-me falhado, errático, demasiado hermético, ensimesmado questionador sistemático: – Por não ambicionar oportunidades para ingressar em cenários precários? Pois bem, sou snob e fofo o suficiente para ser eu a Oportunidade; até rasgaria com empenho a cortina, se isso vos descortinasse a Verdade (ainda que em pedaços) e, áspero, todo língua, lamber-vos-ia os tarsos. Porém (atenção!) jamais dama de companhia, vigia de gatatónicos com miopia, entupidos em cagaços: Não!
Desprezarei sempre o medo que inventais (estrangulá-lo-ei, como fizeram aos meus pais) mas só até que ele tenha medo de mim. Nem quero a estima de um dono: dá-me sono, genuíno tédio esse assédio do apego. Sim, prego a minha religião sem legião. É, sei lá, uma vocação: todo Atitude, peregrino da Virtude, trepar pela sim-dade, enquanto os não-rrrrmais pensam dorrrmir. Seduzo e conquisto a Lua e deduzo, a partir de hoje, miar diariamente às vossas antenas, como nunca antes se ouviu: Sonhai e Criai todos, saí do marasmo, fazei da Vida um Orgasmo, Fartura em todo o lado, Abundância em leitinho, “uh-ah-zubi-zaba-nobi” (oh, que alegre fado!) e, vá, votai no Gatinho… Miu?


Suzana Guimaraens

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Miu!

POR UM MOVIMENTO VERDADEIRAMENTE REVOLUCIONÁRIO

Cavaco não ganhou as eleições. Metade dos votantes rejeitou-o, mais de metade dos portugueses está-se a marimbar para ele. Cavaco vale 25%. É este o "Presidente" que temos, o Presidente da "vileza", da "infâmia", do BPN e das casinhas, um "Presidente" sem uma única ideia própria nos cornos, uma cassete ambulante, um imbecil inculto, arrogante e salazarento que só percebe de Finanças, se é que disso percebe, o que duvido. Por isso, meus amigos, agora o objectivo é deitar Sócrates abaixo (ele já está a cair...) nem que para isso aparentemente tacticamente façamos o jogo da direita. Aliás, a direita que faça o papel dela. Impõe-se igualmente formar um partido ou anti-partido realmente revolucionário. O PC e o BE têm poucos votos e força, alinham com o reformismo social-democrata e têm um discurso velho. A revolução está a fazer-se na Tunísia, na Albânia, na Argélia, em todo o Magrebe, na Grécia e vem para aqui. É a hora de escolher entre a libertação do Homem e a ditadura do capitalismo, dos mercados e dos banqueiros, do Sócrates e do Cavaco. Alea Jacta Est.


António Pedro Ribeiro

domingo, 23 de janeiro de 2011

Posso?




fotografia de Carlos Silva



– Posso? É aqui o planeta Natal?
Senhoras, senhores… Arrumadores, doutores, da ponta dos meus alvos bigodes (de duas vidas e nove semanas e meia)
desejo que o vosso dia flua como um re-gato que se diverte por entre os óbices!
Bom, na verdade, não era bem isto que eu queria miar…
: está um bulldog francês sentado ao fundo do corredor, mesmo em cima da minha cama e um rei-noceronte em saltos altos, aos pulos que nem uma besta, em cima da mesa da sala, e logo agora: hora da sesta.

E sinto-me abstrato, como se não fosse um gato, nesta conjuntura surreal
; talvez seja uma questão química e cultural, mas estais a ver um gato no palco, a carecer de desabafo? Nem eu. E uma gata de gravata a fazer do seu gato
gato-sapato?
Até parece mentira, porque ainda ontem, passei por um gato cego
que me leu as palmas e me agoirou um futuro cada vez mais feliz, mas estava demasiado entretido a rilhar um osso de baleia para me dar conselhos; a sua esposa yuppie miava-lhe o jornal por entre rabugentas entrelinhas,
qual Xantipa, como se eu não estivesse ali e não hesitei outro telhado.

Dizem-me falhado, gato errático, operático, ensimesmado, questionador sistemático que se insubordina ao poder:
“porque se der trabalho, é pr’arder!”, mas não é nada disso, enfim…
Tenho a certeza do perfeito caos das ideias que me imaginam
; da realidade que encenais todos os dias, nem tanto assim.

Não almejo oportunidades para entrar nos vossos cenários precários
– sou snob e fofo o suficiente para ser eu a Oportunidade
e até rasgaria com empenho a cortina, se isso vos descortinasse a Verdade
(ainda que em pedaços) e áspero, todo língua, lamber-vos-ia os tarsos.
Porém (muita atenção!) jamais seria dama de companhia,
vigia de gatatónicos – dos retratistas, aos radiofónicos – com azia,
entupidos em cagaços: Não!
Sei, portanto, que irei sempre estancar o medo que inventais
– estrangulá-lo, como fizeram aos meus pais e aos meus irmãos –
todavia, só até que o medo tenha medo das minhas mãos... sim: Mãos!
E não quero ter a esperança pela estima de um dono: dá-me sono, tédio genuíno esse assédio do apego.

Sim, prego a minha religião sem legião; é, sei lá, uma vocação
: ser todo Atitude, peregrino da virtude, gatinhar assim pela sim-dade
enquanto os não-rrrrmais pensam dormir, seduzir a Lua (sobretudo a Nova, porque não preciso de a ver para a sentir) e deduzo, a partir de hoje, miar diariamente às vossas antenas como nunca antes se ouviu
: sonhai e criai todos, saí do marasmo, fazei da vossa vida um orgasmo, fartura em todo o lado, abundância em leitinho, “uh-ah-zubi-zaba-nobi”
(oh, que alegre fado!) e, vá, votai no gatinho… Miu?


Suzana Guimaraens

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"Pestanejar na escuridão"


"A Poeta é incerteza, suma sacerdotisa do paradoxo ponto ela ou dúvida que arrasta à pesquisa dissecante pelo território trépido e fluido dos significados. Assim é que oscilando dissolve interrogações para atingir espaços acústicos que são ecos pelas margens dos ouvidos, espelhos nos horizontes dos olhos e no hálito pulsátil dos lábios, um tremor de oásis. A leitora segura-se nas velas páginas à distância pouca dos antebraços telescópios e enfuna em orgulho, vasto, a húmida estreiteza do peito (transido de nevoeiros) que estoira num foguetório sinfónico, por ser ali, numa página ímpar, nome que se escreveu em digressão e cursivo, por primeira vez, tinta em folha-papel de livro-poemas, sombra clara."

Sun Iou Miou em Isto non é un cabaré!

A "incerteza", hoje, é:

onde mora a Poeta que habita a Prosa comendo a Metáfora?

sábado, 25 de dezembro de 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

PARA

Para não comer cadáveres lavei uma alface com os pés na Terra e comi-a viva.

Suzana Guimaraens

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SPOKEN WORD

A poesia
a poesia
a poesia
é - pergunto - esse sacolejar de asas transparentes
de inconscientes e possessos anjos?
A poesia – pergunto – a poesia
é esse alar de cinza terrestre em embrião celeste?
A ascensão das fezes e da urina em verso livre ou em rima?
Sumo pontífice, Hierofante
a Metáfora Insondável, o Indescobrível?
Ou o Vómito, deusa em mim?

O corpo pede
(poesia)
mas o mundo fede e a lama bruta invade
e talvez nunca se chegue a saber como se mede
– a poeira e a cinza, sim –
mas [nunca a poesia] e isto que agora somos
: porque já não é tão fácil encontrar trilhos
porque entretanto o preto acinzentou
porque já não há fascistas nem revolução
só os carreiristas, os liberais capitalistas
os compulsivo-consumistas e a podridão dos excedentes
o contrabando legal de estupefacientes e os recipientes ambulantes
; depois há os laptops e os PDAs e os iPods e os iPhones
e os SmartPhones e os BlackBerries
o Skype, a Wikipedia e o Photoshop
o facebook e o bodybook, as webcams e os webcums
os nano-tubos carbónicos e o plasma e as casas inteligentes
os quotidianos frenéticos e os carros eléctricos (“ai, não tem!?... mas, olhe que devia!”)
as relações pragmáticas e as seitas idiossincráticas
as fátimas dogmáticas, as fátimas cépticas e as fátimas… relativas
(“Valha-me Nossa Senhora de Fátima!”)

– “a questão é” quando compreenderei o Outro
com ou sem estilo, terapia ou High Tech.
E é normal que, entretanto, os silêncios, as fomes e as prisões permaneçam
e que os jornais se continuem a enfardar como a bíblia-sem-Saramago
com os filmes e as novelas e as séries e as revistas e os desfiles e os jogos
e os jogos e os desfiles e as revistas e as séries e as novelas e os filmes
até que um diabo de ligas te possua e tu adormeças que nem um anjo.

É: a tua alma cede, mas o teu espírito pede
(sem saberes, mas pede)
poesia e justiça
– o fio de lã e o labirinto –
a justiça, todavia, perdeu-se algures fora do labirinto
porque era um travesti zarolho e confuso
e a poesia e a poesia e a poesia não aparece nem faz nada
a poesia apenas é a poesia e anda por aí e não pede para ser mais nada
nem te pede rigorosamente nada
: para acreditar ou votar ou algemar ou imolar ou casar ou explodir
nem sequer para rimar
; apenas o rigor intuitivo-intuitivo-intuitivo da criação além prosa
e o amor pelo que crias
e a libertação do que crias
e seres a Santíssima Trindade na polpa dos dedos.
(respira)


Sabes que não pões pão na boca de ninguém
nem na tua
mas és a mãe, és o pai e és a cria
e és livre, até de ti
; não sabes como, nem entendes
nem interessa, mas és
e, quando és,
a rosácea estremece
a mão obedece
e é aí que desce

a Poesia?


Suzana Guimaraens

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

AMMA

No pretérito éramos perfeitos.

O Espírito Santo – uma anguiforme mulher incandescente com imensos seios e vários braços com corações
: existências em libações de vinho e mel e afectuosas efervescências líquidas.
Sub-repticiamente dúbios necrotérios alojaram-se nos nossos prédios
e assédios de estranhas pombas brancas
substituíram o sinal do coração pelo sinal da cruz.

Então, inválido de nascença, invadiu o [crédito]. do relógio. das chaves. do carro. da casa. das cruzes de ouro. do ginásio. do crédito – o [crédito].
Imperfeitamente atávicos, voltámos a a-creditar
; alheios aos genes, aos anjos, ao carimbo das Plêiades, à fotossíntese, ao livre arbítrio.
E aprendemos, noutros imóveis, a rezar à medicina imperfeita, não raras vezes,
a [crédito].
Por vezes, porque se paga a pronto, alguns vão às cartas, em vez de irem às putas, mas o Tarot (com todo o respeito) nem sempre nos alcança ou nós a ele…
Mas, que Buda é um jacto de endorfinas, é.


Suzana Guimaraens

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

BONECA INSUFLÁVEL

Tu, oh, homem a quem Nietzsche já não satisfaz nem Baudrillard!
Por te julgares tão homem, pensas que não podes ter contracções nem parir coisa nenhuma?
; pois bem, há homens que dão mais luz à Vida do que muitas mulheres com ninhadas de dez.
Só tu é que não vês porque temes a imputação, então, amputas-te.
Porque – não sei se sabes – pode haver mais alma num só seixo do que num metro empanturrado de nações.
Porque és tu que tens de escolher os teus trilhos e fazer desabrochar estrelas no teu peito.
E tudo enquanto à tua volta chovem bigornas acesas e a Terra se contrai de dez em dez minutos.


Suzana Guimaraens

in paradox.sou

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

POEMA [QUASE] INÉDITO

wabi-sabi knows: porque o tempo não existe and space there is
knot(s) of eternal nas fechaduras vazias da tua casa
escolhes as eucariotas e os pseudónimos pornográficos
enquanto deixas cair demiúrgicas máscaras sucessivas
de que já nem te lembravas
entre o tease e o strip, murmúrios de sereia e tritão de Sotavento – hélices cibernéticas – oferendam novos mundos ao mundo
de côncavas paredes equiláteras – paredes que largam sementes
; partículas com memória de uma rouquidão [quase] andrógina com medo da velhice

como te compreendo wabi-sabi {o mundo precisa de ti como tu do mundo}
como te surpreendo wabi-sabi por ser tão feita de ti
: o vírus da imperfeição foi a mais sagrada invenção

amostras heart&mind celebram o advento do wabi-sabi

now wabi-sabi knows I know


Suzana Guimaraens

in paradox.sou

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

NO MEU PAÍS AZUL

No meu país azul a bandeira é multicolor e Ama-se o Musgo das Aldeias.
Nele coexistem cidades etéreas e vilas ascensas
; nos telhados há graffitis pintados por crianças de vestes talares
rosas e cravinas a nascer das antenas.

Neste país reaprende-se a respirar todos os dias
e relembra-se a ambivalência do volfrâmio.
Aqui há pais e filhas que alvorecem por cima de aviões
coisas que luzem aos pares – amarelas e vermelhas –
camiões atestados de cerejas e beijos
autocarros com velhinhos que cantam com lábios em arco para cima
[compreendem a sua jamais-extinção]
e flores silvestres que se abrem a astros que ainda não sabemos.

Não obstante, de incertas zonas de sombra, escutam-se tilintares perdidos,
estranhas cacofonias metaloformes, obscenas estridências.
Passam obscuros pombos correio que entregam mensagens transgénicas
(quase sempre fora de prazo)
e em cada divisão entorpecida das casas por onde passam, há caixas com histórias dentro de histórias que nunca acabam; comandos telecomandados por bonecos com assentos e bizarros hobbies
homens que só metem a barriga para dentro para a fotografia
e infecções que os assomam pelos excessos.
Sim, do outro lado entrincheiram-se.

E perdoa não ser anacreôntica, nem esquecer Siracusa
; por não te ofertar épicos finais felizes de mão beijada ou dulcificantes cantos
por não te narcotizar a almofada envolta em flanela
por nunca te ceder a minha Paz.

Contudo, é aqui que eu escolhi [ser]
: neste país azul onde, em todas as direcções,
alam arados sem fios e anacrónicas caravelas de recreio
onde se assam esquilhas no ponto e intrépidas sardinhas saltam dos nossos monumentos para certas ruas de Paris e de Pequim.
Assiste-se, num jardim botânico, a dois casamentos: uma chinesa e um luso-brasileiro, um ucraniano e uma portuguesa – genuínas Malas Amalgamadas por Afeição – redes que se aperfeiçoam, pescando-se em periferias de Amor Além Mátria.

No meu país azul é assim: mulheres e homens vertem o Mundo no coração uns dos outros
e há conversas de soalheiro que substituem comprimidos
; há pastores e varinas que dançam-colados todas as terças e domingos à tarde
e alguns, sem distinção de sexo, usam canivetes suíços, parabólicas indianas
e babydolls tailandeses
(enquanto, por lá, usam os nossos sapatos e se eriçam com o nosso néctar à Voz de Amália…)

O Equilíbrio – tu sabes – está em rota de colisão com o meu país
(embora nas noites mais frias eu tema ser por demasiado pouco tempo
: por ser essa a matriz; porém, prezado expatriado, a matriz permite-se mudar
de longe a longe
e pode muito bem começar aqui!)

Sim, o meu país azul ainda não é cabalmente feliz.
Mas o que importa é que no meu país todos se conhecem
para além das casas fechadas à chave
e das fachadas de palavras sem dono.
Aqui há Silêncios de peitos abertos, páginas inteiras e mãos grandes.
No meu país azul o ser-humano tenta ser Humano
e as almas acordam como claras manhãs sem chip a abrir novos caminhos.


Suzana Guimaraens

in paradox.sou

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lançamento...


«Antes de me afastar demasiado de mim
apurei-nos, em toda a geistória, este momento
: as pétalas sacrificiais de Santa Teresinha, a água com sal para os pés.
Incensários volatilizam o verso sesquipedal
em heréticas viagens iconoclastas e cristalinos vómitos de alma&lama.
As fontes? A autobiografia de setenta e dois anjos, nove livros perdidos da Lemuria e da Atlântida, cem queimados da Alexandria e da Inquisição,
dez que ainda não se escreveram, doze que jamais saberei.»





Dia 21 de Novembro (domingo) pelas 17:20h

na Biblioteca Municipal de Gaia

lançamento do livro paradox.sou

de Suzana Guimaraens



sábado, 30 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

É possível uma Evolução Espontânea?





Todos conhecemos histórias de pessoas que recuperaram, aparentemente de forma milagrosa, de uma doença; mas poderá o mesmo fenómeno acontecer ao Mundo? Segundo o biólogo e pioneiro Bruce H. Lipton, não só é possível, como já está a ocorrer.

No livro "Evolução Espontânea", este especialista, de renome mundial na ciência emergente da epigenética, revela como a mudança na nossa compreensão da biologia irá ajudar-nos a navegar por este período turbulento da história do nosso planeta e como cada um de nós pode participar nesta mudança global.
Em colaboração com o filósofo político Steve Bhaerman, Bruce Lipton convida os leitores a analisarem:
* os pilares "inquestionáveis" da biologia, incluindo a evolução aleatória, a sobrevivência do mais apto e o papel do ADN;
* a relação entre a mente e a matéria;
* como as nossas crenças acerca da natureza e da natureza humana moldam a nossa política, cultura e vida individual;
* e como cada um de nós pode tornar-se "células-tronco" planetárias de apoio à saúde e ao crescimento do nosso mundo.

Ao questionarmos as velhas crenças que nos trouxeram até onde estamos hoje e que nos mantêm presos ao status quo, poderemos desencadear a evolução espontânea da nossa própria espécie?


"Sobre os Autores:

Dr. Bruce H. Lipton é uma autoridade, internacionalmente reconhecida, em fazer a ponte entre a ciência e o espírito e uma voz de liderança na nova biologia. Biólogo celular por formação, ele leccionou na Universidade de Wisconsin School of Medicine e, posteriormente, realizou estudos pioneiros na Universidade de Stanford. Autor de The Biology of Belief (em português, A Biologia da Crença), tem sido orador convidado em centenas de programas de TV e Rádio, bem como apresentador principal de conferências nacionais e internacionais.
Steve Bhaerman é escritor, humorista e comentador político e cultural, que tem escrito e sido comediante iluminador, como Swami Beyondananda, há mais de 20 anos. Pioneiro em educação alternativa e publicações holísticas, Steve está activo na política transpartidária e na aplicação prática da Evolução Espontânea."

Depois de o ter lido "de ponta a pavio", diria: aconselhável à Alma de cada cidadão-célula...

domingo, 17 de outubro de 2010

Let me...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Medicina reconhece a Alma?

Uma nova postura da Medicina (de muitos) frente aos desafios da Espiritualidade (de, conscientemente, ainda tão poucos)?

Atentemos à palestra sobre a glândula pineal do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico brasileiro que coordena a cadeira de Medicina e Espiritualidade na USP:

"A Obsessão Espiritual como doença da Alma, já é reconhecida pela Medicina http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=08634
Em artigos anteriores, escrevi que a Obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.
No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social.

Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do ser humano e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente corpo e espírito.
Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, psicológico e espiritual. Desta forma, a Obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicina como possessão e estado de transe, que é um item do CID - O Código Internacional de Doenças - que permite o diagnóstico da interferência espiritual obsessora.

O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença. Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos -nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura - bem como na interferência de um ser desencarnado das trevas, a Obsessão espiritual.

Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios. O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura.

Na Faculdade de Medicina da USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico, coordena a cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade.

Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.

Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como psicóticas e tratarem-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas.
Em minha prática clínica, a grande maioria de meus pacientes, que são rotulados pelos psiquiatras de "psicóticos" por ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência) , na verdade, são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental, psiquiátrico.

Muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o ser integral.

Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser estudada de forma séria e aprofundada, para que possamos melhorar a qualidade de vida do enfermo."

Texto de Osvaldo Shimoda


(Palestra Completa "Glândula Pineal - Dr. Sérgio Felipe de Oliveira")

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

híbrida

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Referência Viva

: janelas patentes em transparências de caudal dourado
espontâneas como palavrões, entre as palavrinhas do dia-a-dia, de quem vive para o trabalho dias a fio.
Sem fio, na outra margem, algo nasce, renasce, nunca morre – escorre teimoso e inesgotável
[nunca igual] nas escadarias
ou nos improvisos de neblinas a horas fátuas de sol
(tão incompreensíveis para os poetas laboratoriais)
[sempre igual] nas façanhas e nos gestos límpidos e obstinados
que acreditarão sempre, sempre na bonomia
oculta pela aspereza da pedra azul
(afinal, humilde como o desabrochar das dálias).

De súbito, o tempo deixa de ser um conjunto de casas desalinhadas
– organizam-se proletários casarios, capelas, confrades, areais limpos, olhares que riem, um pôr-do-sol na transição para uma qualquer rua sem carros
[o tempo é um pincel orgânico em movimento]
afoito como o menino que brinca e cai ao poço e, desde então,
escuta do seu fundo, apenas para melhor auscultar os elementos
e uma certa Rosa que (sem dia-não) lhe ditam as tintas
directamente ao [centro].

Mas tem saudade-de-si, das suas próprias referências
: a bola de trapos, as sameiras, o peão e o carolo,
as cordas da roupa e as pias com plantas por cima e a
mãe a cantar;
agora, pinta-as com a mão direita
(a mesma destreza ao encestar com a esquerda)
e vai à escola, onde o escutam com olhos de ver
– o mesmo sol, a mesma vertigem
que regista, escrivã do espaço, tempos de África às Américas.

E dilatam-se-lhe as pupilas, para melhor o adentrarmos
rumo às memórias, até ao instinto.
Assim são as referências vivas, movidas a luz própria
sem época, desbravando a sua própria escuridão
; esta é Pai e é Filho da cidade, de um país
retrata-os intimamente, do ventre, com olhos de mundo
eles são a sua cama e a sua prole
esperma-óvulo concebido em ateliers a céu aberto
erários a cores por “dez réis de mel coado” – diáfanas incongruências que nos prometem a pincelada ad aeternum
aquela que nos embarca em perspicuidades reverenciais.

Na precariedade,
a desprendida emoção de ser criador à sua escala
: em directo, sem grafite e sem borracha
– o Milagre da Multiplicação do Amor


Suzana Guimaraens

domingo, 19 de setembro de 2010

korny-lethal-happy-ending in Jerusalem

(gritando para o minarete) Senhor, viu uma bomba passar por aqui? (falando) E o senhor padre, viu?... Alguém tem de a parar! Ela não tem culpa, foi ensinada a ser assim... “Esperar na rua – por que não?”, pergunta o senhor rabino? E viver de esmola é essa a sua sugestão? Se pressentisse uma bomba em casa, iria lá para fora, assim, sem hesitar? Os seus retratos, a sua Tora, talvez; mas a sua dignidade também é coisa a despejar? Eu sou viúva e tenho uma bebé e um pai doente em casa, senhores, e não tenho p’ra onde os levar. E não é terramoto, nem furacão; é apenas uma bomba que se pode desensinar. Haverá igreja, mesquita ou sinagoga que a consiga converter? (silêncio sepulcral) Senhores, vou para casa contar-lhes de uma bomba que se tornou pomba e dos nossos quatro corpos misturados a ascender…


Suzana Guimaraens

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Transpiras flores

Transpiras flores
nos vasos de minha casa

de asas voltas-te a nascente
sem rosa dos ventos
e aspiras inquieto à chuva dos meus olhos em botão

cristais sem arestas germinam
e [curvilínguo] plantas-te nas minhas persianas líquidas
como aquelas orquídeas que nascem no tronco das árvores


Suzana Guimaraens

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Passas

Passas pela vida das pessoas
– Húmus e chuva em ebulição
Erecção-semente, com uma ténue ponta de afeição –

Passas pela vida e pelas pessoas
Que, estou em crer, não terão bem a noção
Que lhes fecundas os utensílios
Que lhes fertilizas a inquietação
Que as fazes aceder ao formigão donde não podem regressar

Passas e não sei se se apercebem
Ou apenas o não querem admitir
Que lhes instalas o Desassossego
O adubas como um cego
E [assobiando]
Desvaneces-te a seguir.


Suzana Guimaraens

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Spiegel Im Spiegel"

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

23:23 traducido para Castellano

De pie, jadeante, aparecí en la punta de la pasarela, perpendicular a la playa.

Me adentré, paulatinamente, en el arenal hasta las espumas y las estrellas exprimidas,

sin luz de luna a la vista.



En flash, evoqué cómo de niña (e incluso de adolescente),

durante el viaje de mañana en autocarro a la escuela,

me apetecía abrazar todo el paisaje que los ojos lograsen alcanzar

y me daba vergüenza que me leyesen los sentimientos en aquel mirar aéreo y excessivo.



Allá, en la pasarela, no fue mi pequeñez,

frente a la (in)finidad de aquel océano y firmamento,

lo que me rescató

: fueron las respiraciones completas [simultáneas] con todo lo que allí respiraba.

Inmiscuida y simbiótica respiraba.



Me reerigí

―Órgano de la Paz―

perpleja, diáfana, incomensurable,

mucho más allá de las vigas de madera que parecían sosternerme los pies.



Y debo de haber sido feliz, porque no tengo recuerdo de SER tan enteramente libre,

libre hasta de mí,

sobre todo cuando, súbitamente, comprendí que aquel

Silencio

de brisa en blandas olas nocturnas y aromas a flora de dunas primaverales

era, al cabo, tan importante y pleno de budeidad

como el trash-metal, tumba que dale toda la tarde, del vecino del primero.



Suzana Guimaraens


(Trad.: María Alonso Seisdedos)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Há quanto tempo te esperas?























(Estação de S. Bento - Porto)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Todos os dias são diferentes

Todos os dias são diferentes
Todos os dias são diferentes
Todos os dias são diferentes
Todos os dias são diferentes
Todos os dias são diferentes
Todos os dias são diferentes
Todos os dias são diferentes


Suzana Guimaraens

Da minha varanda




















Da minha varanda
- uma questão esférica, não etérica -
: ainda desconheces o sabor
do meu desmaio
em Lua prenhe de Agosto?



(Está quase... )

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Querido Blogue,

A extremidade da Eternidade é este momento.

Eu

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